terça-feira, 23 de junho de 2009

A MAÇONARIA E A REPÚBLICA NO BRASIL

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A MAÇONARIA E A REPÚBLICA NO BRASIL

Primeiro Simpósio de História da Maçonaria Americana e sua Influência no Desenvolvimento Econômico, Político, Social e Cultural na América Latina desde 1800
Grande Loja de Chile
Universidade La República
Santiago do Chile 25, 26 e 27 de Maio de 2005


I – Prenúncios Republicanos Regionais

Antes da Proclamação da República no Brasil e até mesmo antes da própria Independência do País houveram quatro tentativas malogradas de movimentos republicanos regionais que contaram com a presença e participação dos maçons brasileiros.

A primeira tentativa foi o movimento apelidado nos manuais de história do Brasil de Inconfidência Mineira.

O primeiro movimento de caráter autonomista surgido na cidade de Vila Rica, sede da Capitania de Minas Gerais, em 1789, teve como decorrência o descontentamento gerado pelo abuso tributário com que o reino português, já em pleno processo de decadência, explorava as riquezas minerais da rica capitania.

Um grupo de intelectuais nessa capitania acalentou sonhos de autonomia republicana mirando-se no exemplo da iniciante Revolução Francesa e, principalmente, da independência dos Estados Unidos da América do Norte. A vanguarda desse grupo era liderada por uma elite intelectual dos estudantes mineiros que estudavam em universidades européias e que tinham sido iniciados na maçonaria francesa por volta de 1776 e almejavam a libertação de sua terra natal. Os principais próceres eram José Álvares Maciel, José Joaquim da Maia e Domingos Vital Barbosa. Maia chegou mesmo a enviar uma carta a Thomas Jefferson, ministro norte-americano na França, sondando-o sobre a possibilidade de auxílio a um possível movimento de libertação da capitania mineira e que depois deveria se espraiar pelo resto do país. A resposta de Jefferson foi vaga e ambígua. Já Maciel passou a freqüentar o grupo político maçônico de Francisco Miranda em Londres, interessado na independência dos países íbero-americanos e que viria a culminar na formação da Grande Reunião Americana. Maciel viria a ser a alma intelectual do movimento emancipador em Vila Rica.

Já na colônia, vários intelectuais, militares e sacerdotes participariam também das idéias liberais e libertárias da maçonaria aderindo ao movimento. Podem ser citados: Cláudio Manoel da Costa, Inácio José de Alvarenga Peixoto, Tomás Antônio Gonzaga, cônego Luís Vieira, padre Rolim, padre Carlos Toledo, tenente-coronel Freire de Andrade, sargento-môr Luiz Piza e o alferes Joaquim José da Silva Xavier, apelidado de Tiradentes, que por não ser padre, militar de patente elevada ou desembargador foi condenado à morte quando do fracasso da intentona. Tiradentes é hoje o protomártir da Independência do Brasil.

A bandeira do movimento continha um triângulo eqüilátero (ou delta), um dos máximos símbolos maçônicos circundado pelas palavras de Virgílio: Libertas Quae Será Tamen (Liberdade ainda que tardia). Nos seus conciliábulos secretos discutiam a implantação de uma República em Minas Gerais, mudar a capital para São João del Rei, instalar uma Casa da Moeda, fábricas de ferro e pólvora e desenvolver a mineração através da iniciativa privada.

Os inconfidentes foram presos e o movimento termina praticamente com o enforcamento de Tiradentes em 21 de abril de 1792.

A segunda tentativa foi a Revolução Pernambucana de 1817, um movimento revolucionário, de tendência fortemente nacionalista que visava implantar a república na Província de Pernambuco, liderada pelo maçom Domingos José Martins.

Domingos era um comerciante estabelecido na cidade de Recife, capital da província, e que viajava constantemente ao Reino Unido. Lá, entrou em contacto com os círculos maçônicos e teria sido iniciado em 1812 por Hipólito José da Costa, o Patriarca da Imprensa Brasileira, e por Francisco Miranda.

Os conspiradores chegaram, com apoio popular, a depor o governador da província e instalar um governo em 8 de março de 1817. A reação veio através do Conde dos Arcos, governador da fronteira província da Bahia, que cercou o Recife com 1500 homens. No dia 20 de março, os rebeldes foram derrotados e presos. Domingos e todos os outros chefes revolucionários foram levados para Salvador, responderam a processo sumário e todos executados num total de 43, entre civis e militares, além de três eclesiástico. Entre estes se encontrava o Padre Roma, um maçom ativo e combativo.

O terceiro movimento foi a Confederação do Equador já com o Brasil independente e lutando pela sua unificação. Na Província de Pernambuco, os remanescentes da Revolução de 1817, reagiram contra a prerrogativa do Imperador de escolher livremente o presidente da Província. O líder dessa reação foi Joaquim do Amor Divino Rabelo e Caneca, o popular frade carmelita - frei Caneca - maçom, jornalista propagandista dos ideais republicanos, professor de filosofia, retórica e geometria. No seu jornal Tífis Pernambuco proferiu intensa campanha contra o então Imperador D. Pedro I, também maçom, desde a dissolução da Constituinte e a imposição e outorga da Constituição de 1824, a primeira constituição do país independente. A revolução rompeu com o Império recém-implantado, proclamou-se uma república com o nome de Confederação do Equador, alastrou-se para as províncias vizinhas com o apoio das lojas e dos maçons da região.

A revolução foi prontamente domada pelas forças do nascente Império Brasileiro tanto que o presidente da Confederação – Manuel de Carvalho Paes de Andrade – também maçom, fugiu para os Estados Unidos, ajudado pelos Filhos da Viúva. Os demais líderes, contudo, não tiveram melhor destino, pois foram todos presos e, em seguida, enforcados, exceto Frei Caneca, que foi fuzilado. Frei Caneca pelo seu carisma, autoridade moral e principalmente pela sua condição de sacerdote não encontrou carrascos que o enforcassem.

O quarto e último movimento republicano regional, iniciado em 1835, como uma revolução autonomista e federalista, teve como seu líder máximo o liberal maçom Bento Gonçalves da Silva e auto-intitulou-se República Piratini ou República Farroupilha.

As sociedades maçônicas floresciam então. A maçonaria, aliás, contava com muita força. Nela estavam presentes até sacerdotes, e a maioria dos homens influentes da província eram maçons. Entre os maçons ilustres, destacava-se Bento Gonçalves, que organizou diversas lojas na fronteira, e cujo codinome, na maçonaria, era Sucre e também o outro co-líder do movimento Davi Canabarro, assim como os italianos Tito Lívio de Zambeccari e o afamado Giuseppe Garibaldi, iniciado na Loja Abrigo da Virtude da província do Rio Grande do Sul, que utilizou as táticas de guerrilha aprendidas no Novo Mundo na unificação italiana.

Como causas do movimento podem ser citadas: o isolamento da província, descontentamento com o controle alfandegário, o dinheiro da província gaúcha pagava até a dívida com os ingleses, moedas falsas complicavam a economia e o clima de tensão reinante na fronteira.

Muitos dos livros de história insistem na versão de que o nome "farrapos" ou "farroupilhas", dado aos revolucionários gaúchos, teve origem nas roupas que estes vestiam - gastas e esfarrapadas. No entanto, a verdade é bem outra. A denominação é, mesmo, anterior à Revolução Farroupilha, e era utilizada para designar os grupos liberais de idéias exaltadas. Já em 1829 eles se reuniam em sociedades secretas. Uma delas era a Sociedade dos Amigos Unidos, do Rio de Janeiro, cujo objetivo era lutar contra o regime monárquico. Desde então, eram chamados de farroupilhas. Segundo Evaristo da Veiga, o termo havia sido inspirado nos "sans culottes" franceses, os revolucionários mais extremados durante o período da Convenção (1792 a 1795). Os "sans culottes", que literalmente quer dizer sem calção, usavam calças de lã listradas, em oposição ao calção curto adotado pelos mais abastados.

Os combates duraram praticamente até 1840, com os rebeldes usando a partir de então, tática de guerrilha contra as forças Imperiais. Na batalha de Fanfa, contudo, Bento Gonçalves foi preso e confinado no Forte do Mar na distante província da Bahia, de onde fugiria misteriosamente com o auxílio da maçonaria baiana no dia 10 de setembro de 1837. A partir de 1842, com a nomeação de comandante em chefe das forças Imperiais e governador da província, o então Barão de Caxias, maçom emérito, pois chegou a receber o título de Grão-Mestre de Honra do Grande Oriente do Brasil e patrono do Exército Brasileiro, iniciou o processo de pacificação da província rebelde.

II - Antecedentes da República

Como antecedentes remotos e recentes da implantação da República no Brasil podem ser citados os seguintes: i) o conflito maçônico e político entre José Bonifácio de Andrada e Silva, o Patriarca da Independência do Brasil e Joaquim Gonçalves Ledo, líder maçônico no Rio de Janeiro; ii) o Manifesto Republicano de 1870; iii) a Convenção de Itu de 1873; iv) a Questão Religiosa; v) a Abolição da Escravatura e vi) a Questão Militar.

Devido à inexistência de partidos políticos durante a independência do Brasil, a maçonaria assumiu o papel de partido político na época da independência. Naquele momento histórico, os iniciados da maçonaria juravam não só os preceitos ortodoxos maçônicos como também o de lutar pela independência do país.

Assim, o conflito político e ideológico entre dois maçons brasileiros na época de independência – José Bonifácio de Andrada e Silva, o Patriarca da Independência do Brasil e Joaquim Gonçalves Ledo, o líder dos maçons radicais liberais no Rio de Janeiro – assumiu também uma conotação entre as facções da maçonaria que defendiam a monarquia e a república. O Brasil destoou do resto do continente americano ao optar pela forma monárquica de governo, pois se tornou uma monarquia cercada de repúblicas por todos os lados. A sabedoria da elite política – na sua imensa maioria integrado por maçons - da independência brasileira foi o fato de transformar o Príncipe Regente português no Imperador do Brasil. Tal fato estratégico foi o grande responsável pela unidade do território nacional, pois enquanto o resto da América Espanhola fragmentou-se em dezenas de países, o Império brasileiro conseguiu sufocar as tendências centrífugas regionais, muitas vezes de caráter republicano, mantendo a incolumidade do território nacional. O sonho de Bolívar conseguiu materializar-se na América portuguesa.

Assim, graças à maturidade, à acuidade e à moderação de José Bonifácio - primeiro Grão-Mestre do Grande Oriente do Brasil, fundado em 17 de junho de 1822 -, a facção moderada dos maçons conseguiu com êxito implantar a independência do país.

A idéia republicana, contudo, foi sendo acalentada, por um pequeno grupo de maçons, durante todo o Império e crescia com o tempo a cada crise vivida pelo regime monárquico.

A irrupção republicana veio à tona com o Manifesto Republicano em 1870, de nítida inspiração maçônica, pois foi liderado pelo maçom Joaquim Saldanha da Gama, que, na época, era Grão-Mestre de uma facção dissidente do Grande Oriente do Brasil, o combativo Grande Oriente do Vale dos Beneditinos.

Diversos maçons assinam o Manifesto Republicano de 3 de dezembro de 1870, tendo como seu redator o aguerrido maçom Quintino Bocaiúva que, mais tarde, em plena República, viria a ser Grão-Mestre do Grande Oriente do Brasil.

Assim como na Revolução Francesa existiam maçons dos dois lados da contenda – monarquistas e republicanos – na época do Manifesto Republicano pode-se afirmar que também era um duelo entre maçons – também monarquistas e republicanos – pois enquanto o republicano Saldanha Marinho pontificava no grande Oriente do Vale dos Beneditinos, o Visconde do Rio Branco era o Grão-Mestre do Grande Oriente do Brasil e no ano seguinte seria nomeado para a Presidência do Conselho de Ministros do Império. Seu gabinete foi o de mais longa duração em toda a história do Império.

A Convenção de Itu precede as três crises que acabaram por abalar o Império: as questões religiosa e militar e a abolição da escravatura.

A Província de São Paulo congregava um número expressivo de maçons republicanos. Em 10 de novembro de 1871, 47 partidários da república federativa reuniram-se na cidade de Itu, da mesma província, sob a liderança do maçom João Tibiriçá Piratininga (nome indígena que as principais famílias patrícias usavam para expressar o espírito nativista), criando um clube republicano que servisse de núcleo com a finalidade de organizar o futuro Partido Republicano. Como corolário desse movimento, a 18 de abril de 1873, na residência de Carlos Vasconcelos de Almeida Prado realizou-se a primeira Convenção Republicana no Brasil, que viria a ser conhecida como Convenção de Itu. Participaram dessa Convenção com expressiva liderança os seguintes maçons que viriam a ser a elite da futura república: Américo Brasiliense de Almeida Melo, Francisco Rangel Pestana, Manoel Ferraz de Campos Sales (futuro Presidente da República), Américo de Campos, Bernardino de Campos, Ubaldino do Amaral Fontoura, Francisco Glicério, Manoel de Moraes Barros, Venâncio Aires, Prudente de Moraes Barros (também futuro presidente da República) etc. Ao todo a Convenção de Itu contou com 134 convencionais em sua grande maioria das cidades da Província de São Paulo. A cidade do Rio de Janeiro, capital do Império, se fez representar também pela sua delegação.

O próximo fato histórico que antecedeu a República foi a Questão Religiosa, de cunho eminentemente maçônico, pois envolveu um conflito entre a Igreja Católica e Império, através de seu Conselho de Ministros, majoritariamente maçônico, e que se transformou num dos fatos basilares da historiografia profana brasileira. Como pano de fundo mais longínquo da Questão Religiosa tem-se a unificação italiana, obra da carbonária e da maçonaria italianas, lideradas pelos maçons Mazzini e Garibaldi, e a perda do poder temporal do papado. Como causa imediata, tem-se a saudação do padre Almeida Martins ao visconde do Rio Branco – chefe do Conselho de Ministros e Grão-Mestre do Grande Oriente do Brasil – durante a solenidade do dia 2 de março de 1872 durante a qual o padre, também maçom, teceu loas ao visconde pela lei do ventre-livre de 28 de setembro de 1871, a partir da qual todos os negros nascidos a partir de então seriam livres.

O conflito foi mais precisamente entre a elite intelectual da Igreja Católica e o Império, pois a grande maioria do clero – o padroado – era de funcionários públicos, dado que a Igreja Católica, na época, era ligada ao Estado. Os elementos de escol envolvidos na contenda foram D. Vital de Oliveira, bispo da cidade de Recife, capital da Província de Pernambuco, educado em Paris e Toulouse, tanto que recebeu o burel de capuchinho em Versailles e D. Antônio de Macedo, bispo da Província do Pará, antigo aluno de Saint Sulpice.

Após a suspensão do padre maçônico, D. Vital, bispo recém-nomeado do Recife, pois vinha da Europa, impregnado das idéias antimaçônicas de Pio IX, suspendeu todos os padres maçons do Recife e mandou que se expulsassem todos os pedreiros-livres das irmandades religiosas. Diante desse interdito, os maçons apelaram para a Coroa que, através do Conselho de Estado lhes deu razão. O governo então ordenou, em 12 de junho de 1873, que o bispo levantasse o interdito, pois este era funcionário público, para que os maçons permanecessem nas irmandades. O bispo se recusou a cumprir a ordem alegando uma incompatibilidade entre a Igreja e a Maçonaria. D. Antônio, bispo do Pará, também interditou os maçons na sua Província. Dada a insubordinação dos dois bispos, o governo mandou prendê-los em 1874 e condenou-os a quatro anos de trabalhos forçados. Pouco tempo depois comutou essa pena em prisão simples, seguida em 1875, pela anistia dos dois bispos, através do novo Gabinete, presidido pelo Duque de Caxias, também maçom.

O grande evento que afastou a classe dos proprietários de terras do Império foi a Abolição da Escravatura. O país, essencialmente agrário, tinha na mão-de-obra escrava um dos sustentáculos de sua economia. Tanto assim que foi um dos últimos países das Américas a abolir a escravidão.

A partir de meados do século XIX, a pressão externa, principalmente da Inglaterra e da França, e a crescente consciência antiabolicionista das classes médias urbanas, em grande parte dos casos lideradas pela maçonaria, forçaram o governo imperial a incrementar mudanças no status escravocrata.

Já na independência do país, o maçom José Bonifácio, cognominado o Patriarca da Independência, propunha a libertação dos escravos acoplada a uma ampla reforma agrária. Na própria Revolução Farroupilha, os maçons Bento Gonçalves e Davi Canabarro chegaram a exarar um decreto em 11 de maio de 1839 libertando os escravos.

A pressão externa contou com a aprovação de Lei Aberdeen em 1845, de clara inspiração liberal e maçônica, que determinava o apresamento de navios brasileiros que transportassem escravos. A pressão externa culminou com a Lei Eusébio de Queirós, também maçom e figura expressiva do R\E\A\A\, que extinguia o tráfico de escravos.

A pressão externa não se restringia ao Reino Unido. Em 1867, o Comitê Francês de Emancipação, entidade maçônica organizada pelo Grande Oriente de França, solicitou ao governo imperial, a libertação total dos escravos remanescentes.

A pressão interna da opinião pública das classes médias urbanas, representada por uma ala do governo central, do parlamento, dos quartéis, das letras e das ciências, encontrou eco nas lojas maçônicas, unindo o grito abolicionista com a campanha republicana. Como fatos maçônicos marcantes podem ser citados os seguintes: i) a Loja Perseverança III em 7 de setembro de 1869 cria a caixa de Emancipação para libertação de crianças do sexo feminino de 2 a 5 anos; e ii) projeto da Loja América da Província de São Paulo (SP) apresentado por Rui Barbosa (futuro Ministro das Finanças do governo republicano) em 4 abril de 1870 ao Grande Oriente do Brasil dos Beneditinos (dissidência do GOB) abrindo verba especial para alforriamento de crianças, e preceituando que só poderia ser iniciado na maçonaria o profano que declarasse livres todas as crianças do sexo feminino. Quanto aos já iniciados deveriam assinar termo compromentendo-se a libertar as crianças do sexo feminino, filhas de suas escravas.

Em 28 de setembro de 1871, foi aprovada pelo Parlamento, a já citada lei do ventre-livre do maçom Visconde do Rio Branco. Com essa lei foi dado o golpe mortal na escravidão, pois, já que fora cortado o tráfico de escravos, agora era a vez da reprodução. A abolição total era agora uma questão de tempo. A pressão maçônica, no Parlamento e no jornalismo, era cada vez mais crescente. Podem ser citados então os seguintes maçons, lideres nos seus respectivos campos de trabalho: Américo Brasiliense, Américo de Campos, Luis Gama, Francisco Glicério, José do Patrocínio, Joaquim Nabuco, Quintino Bocaiúva, Silva Jardim, Ubaldino do Amaral, Rui Barbosa, Pimenta Bueno, Jerônimo Teixeira, José Leite Penteado e tantos outros.

Em 28 de setembro de 1875, aprovou-se a lei dos sexagenários, de lavra maçônica, libertando todos os escravos que estavam nesse faixa de idade ou acima.

Em 13 de maio de 1888, foi finalmente aprovada a Lei Áurea que libertava de vez todos os escravos no Brasil. A força dos escravagistas, contudo, era tão grande que essa lei precipitou o fim do Império e a implantação da República, pois a referida lei causou um grande descontentamento entre os proprietários de terras, um dos maiores sustentáculos do regime.

Como último antecedente imediato da implantação da República, apresenta-se a Questão Militar. Com a Guerra do Paraguai, vencida pela Tríplice Aliança – Brasil, Argentina e Uruguai – o Exército passou a ter um papel cada vez mais crescente nos destinos políticos da nação. Os dois partidos políticos dominantes no Império – o Liberal e o Conservador – diante de suas rivalidades políticas sempre procuraram respaldo nas Forças Armadas, principalmente no Exército. Tanto assim, que o Marechal Manoel Luiz de Osório, marquês do Herval, maçom iniciado na Província do Rio Grande do Sul, se tornou prócer do Partido Liberal e o Duque de Caxias – Luiz Alves de Lima e Silva, futuro Patrono do Exército e Grão-Mestre Honorário do Grande Oriente do Brasil – era líder político do Partido Conservador, chegando mesmo a ser Primeiro-Ministro por esse partido. Com a morte desses dois grandes chefes militares e políticos, os partidos dominantes trataram de substituí-los. O Partido Liberal marchou para o General Correia da Câmara, visconde de Pelotas e senador pela Província do Rio Grande do Sul. Os conservadores buscaram aliciar o general Deodoro da Fonseca, maçom que posteriormente ocupou o Grão-Mestrado do Grande Oriente do Brasil e Proclamador da República no Brasil.

A maçonaria ganhava terreno cada vez mais entre as classes médias e como a oficialidade do Exército era recrutada nessa classe, o mesmo se tornou um viveiro de maçons. Podem ser citados maçons militares que exerceram profundo papel no Império e na República: Duque de Caxias (Primeiro Ministro), Marechal Osório (senador, Ministro da Guerra e Patrono da Cavalaria), Deodoro (Presidente de República), Benjamin Costant (Ministro), Floriano Peixoto (Presidente da República), Lauro Sodré, Hermes da Fonseca (Presidente da República), Gomes Carneiro e tantos outros. Outro complicador que precisa ser levando em conta é que a corrente maçônica militar possuía uma inspiração baseada nas doutrinas e teorias de Auguste Comte, de base essencialmente positivista e que pregava uma ditadura sociocrática. Também existiam emanações civis desse positivismo, principalmente na Província do Rio Grande do Sul.

A questão militar vicejou entre 1883 e 1889 como um conflito entre os políticos civis e o meio militar. A inabilidade dos políticos que não tinham entendido o novo papel do Exército a partir da Guerra do Paraguai e a hipersensibilidade dos militares, principalmente a nova geração que estava sendo doutrina nas Academias Militares, principalmente pelo tenente-coronel Benjamin Constant, maçom positivista e republicano declarado, cognominado “o Pai da República”.

O estopim da crise foram as punições, em 1885, do tenente-coronel Cunha Matos e do major Sena Madureira, pelo ministro da Guerra, que era civil, por pronunciamentos contendo críticas ao mesmo. O referido Cunha Matos escreveu um artigo num jornal diário, respondendo a um deputado que o teria ofendido, colocando a culpa do imbróglio no próprio ministro da Guerra. A questão tomou conotação política quando o Visconde de Pelotas (o novo patrono dos liberais como vimos acima) apoiou no Parlamento a defesa de seu irmão de armas. O caso de Sena Madureira, também de insubordinação contra o ministro da Guerra, ainda foi mais grave, pois buscou apoio na tropa. O marechal Deodoro, na época num comando numa guarnição no Sul, também deu apoio a Sena Madureira. Assistia-se, de camarote, ao desencadear da crise: em 1886, Deodoro, com grande prestígio na tropa, apoiava seu agora secretário Sena Madureira e era secundado no Senado pelo Visconde de Pelotas. O governo civil procurou mostrar ao então general Deodoro as proporções que a crise estava assumindo. Como o general não mudou de posição, o governo teve que demiti-lo do seu comando no sul.

Com o crescimento do movimento, Deodoro assina, conjuntamente com Pelotas, um manifesto intitulado “Ao Parlamento e à Nação”, redigido por Rui Barbosa, onde era exposto a perspectiva dos militares. A comoção crescia e em julho de 1887 era criado o Clube Militar com Deodoro na presidência.

Se os altos chefes militares ainda mantinham um alto respeito pelo Imperador, o mesmo não acontecia com os “jovens turcos” das escolas militares formados e doutrinados por Benjamin Constant. O ponto de culminância da crise militar atingiu seu ápice quando os fazendeiros buscaram obter do governo o auxílio do Exército na caça aos escravos fugitivos. Através do Clube Militar, dirigido por Deodoro e Benjamin Constant, foi enviada uma carta à Princesa Izabel onde se solicitava à princesa regente que o Exército fosse dispensado de tal missão vergonhosa de capitão-do-mato. Esta atitude de coerência, pois tanto o Exército quanto a maçonaria estavam na vanguarda da luta abolicionista, representava um duro golpe de oposição ao regime imperial.

III – O Levante

O fatídico ano de 1887, ante véspera da Proclamação de República, apresentava um Imperador velho e adoentado, um tanto quanto alheio aos acontecimentos políticos e militares da época e com uma filha – futura imperatriz – casada com o conde D´Eu, um francês que sofria de dificuldades auditivas fato que o tornava um tanto quanto recluso e arredio ao contato com a corte e o governo, mergulhados nas intrigas palacianas. D. Izabel era acusada de servir aos interesses do clero e do marido europeu. Essa rede de intrigas aliados ao fato de que o Imperador já teria dito que a família imperial jamais lutaria para manter a coroa contra a vontade popular levaram a contra-elite republicana e maçônica a aproveitar o ano de 1889 para implantar a República no Brasil.


O levante que levou à implantação da República foi um movimento preparado pelas elites militares, republicanas e maçônicas e não teve o mínimo respaldo popular. Tanto que um historiador brasileiro chegou a afirmar que o “povo assistiu bestificado ao levante republicano”.

O levante foi preparado em segredo para eclodir no dia 20 de novembro. A vida corria tranqüila entre a população enquanto as elites fervilhavam e conspiravam abertamente. O movimento foi precipitado, pois nos dia 13 e 14 corria o boato de que o governo mandaria prender o general Deodoro. A movimentação das tropas começou então na madrugada do dia 15.

Em reunião secreta realizada na casa de Benjamin Constant, numa espécie de conclave maçônico, decidiu-se a queda do Império. O único obstáculo, por incrível que parece, era a afeição do velho general Deodoro ao Imperador. Tanto era verdade, que o general uma vez derrubado todo o ministério, disse ao visconde de Ouro Preto, presidente do Conselho de Ministros, que se deveria procurar o Imperador na vizinha cidade de veraneio – Petrópolis – para se preparar um novo ministério. A pressão afetiva e sentimental para demover Deodoro de suas lealdades ficou por conta de Benjamin Constant, o grande instigador do movimento. O argumento decisivo de Benjamin foi de que o Imperador desejava nomear como novo presidente do Conselho de Ministros o senador Silveira Martins, também maçom, desafeto e inimigo de Deodoro.

Proclamada a República em 15 de novembro de 1889 pelo Marechal Deodoro, o mesmo autonomeou-se Chefe do Governo Provisório com um ministério totalmente maçônico e filiado ao Grande Oriente do Brasil. Eduardo Campos Sales na Justiça, Wandenkolk na Marinha, Benjamin Costant na Guerra (Exército), Rui Barbosa na Fazenda (Finanças), Demétrio Ribeira na Agricultura, Quintino Bocaiúva nos Transporte e Aristides Lobo no Interior.

Um mês e pouco depois da proclamação no dia 19 de dezembro, Deodoro foi nomeado Grão-Mestre do Grande Oriente do Brasil.

Já instalado o governo provisório já se podia divisar duas correntes republicanas: i) uma de inspiração liberal que acabou prevalecendo e ii) outra de inspiração comtiana que preconizava uma ditadura sociocrática.

Um ano após a proclamação, a 15 de novembro de 1890, instala-se a Assembléia Constituinte, que promulga a nova Constituição em 24 de fevereiro de 1891, implantando o presidencialismo e o federalismo.

Em 26 de fevereiro, Deodoro é eleito para a Presidência da República. Para Vice-Presidente, os jovens turcos positivistas conseguiram eleger o Marechal Floriano Peixoto, Ajudante General do Exército, uma espécie de Chefe do Estado-Maior, derrotando o Almirante Wandenkolk, indicado pela coalizão liberal.

As crises sucedem-se nesse período, extremamente conturbado, ainda mais que a Marinha se viu preterida por não eleger o vice-presidente na coalizão liberal majoritária. Antes de completar nove meses no governo, no dia 23 de novembro de 1891, o Marechal Deodoro é obrigado a renunciar ao cargo para não provocar uma guerra civil. O almirante Custódio de Melo, chefe da Armada, ameaçara se rebelar em relação ao golpe de Deodoro que dissolvera a Câmara e o Senado em 3 de novembro. Deodoro desgostoso, doente e alquebrado, também renunciou ao Grão-Mestrado do Grande Oriente do Brasil em 18 de dezembro.

O poder passa, pois, às mãos do vice-presidente Marechal Floriano Peixoto, também maçom, que passará à história como o Consolidador da República. Enfrentou, no seu governo, a revolta na Fortaleza de Santa Cruz, Manifesto dos 13 generais, a Revolução Federalista na Província do Rio Grande do Sul, a segunda Revolta da Armada. Floriano, no final do seu mandato, passará o poder para os presidentes civis, muitos deles maçons, que completarão o ciclo conhecido como a República Velha que durará até 1930, quando novo ciclo se abre na História do Brasil.


IV – Conclusão

Como lição histórica, a Constituição republicana de 1891 confirmou a primazia do paradigma liberal no tocante às instituições e ao direito, mas não forneceu os meios para que o país real pudesse vir a se reconhecer, ou a construir a sua identidade, no país legal.

A herança do patrimonialismo ibérico e colonial, originária de processos societais derivados do exclusivismo agrário, significava uma república de poucos – oligarquia que se tornava tão mais anacrônica quanto mais se modernizava e se complexificava a estrutura social do país. Esgotava-se, enfim, a matriz civilizatória das antigas elites socializadas no Império, e a ordem racional-legal se torna uma dimensão vazia de sentido, com o direito se aviltando em um maneirismo e formalismo dos bacharéis de direito.

Prisioneira da hipoteca ao patrimonialismo, a ordem racional-legal, ao conceber uma república sem democracia e sem incorporação social, cristalizou o liberalismo como ideologia de elites, sem desenvolver as suas potencialidades universalistas, em termos de direitos civis. E foi nessa recusa à inovação, mantendo-se indiferente às pressões dos novos setores emergentes, como empresários, militares, classes médias e operariado urbanos, que o ideário liberal, força subterrânea que presidiu o longo processo de transformações moleculares ao longo do período anterior, perdeu substância, frustrando as expectativas de uma plena passagem do país a uma ordem social competitiva.

Nesse contexto, a maçonaria exerceu um papel cada vez crescente no Brasil de 1800 até os anos 30. Atingiu o seu ápice em meados do Segundo Império e na Proclamação da República.

No período da Proclamação da República, ao lado da maçonaria como pano de fundo, deve-se levar em conta o positivismo como doutrina, os militares como estamento social, a classe rural como classe dominante e o liberalismo como ideologia que acabou prevalecendo. O conflito ideológico entre o positivismo (e os seus sucessores) e o liberalismo será uma constante nos diversos períodos republicano.

Outro ingrediente que se encontrava em todo ministério dessa República Velha ou República das Oligarquias era uma sociedade secreta proveniente dos cursos de direito da Província de S. Paulo: a Burschenschaft, ou a Bucha como popularmente era cognominada. Sociedade secreta universitária de influência alemã, maçônica, republicana e iluminista que exerceu seu poder durante todo o período dessa Primeira República brasileira (1889-1930).

A influência da maçonaria brasileira, pois, perpassa toda a história do país desde a colônia, passando pelo império e chegando até a república. Filha espiritual da maçonaria francesa encontra no liberalismo a sua mais potente coluna de sustentação. A vertente republicana cresce, através dos tempos, influenciada pelos exemplos da Revolução Francesa e da Revolução Norte-Americana.

A partir da implantação da República, as Forças Armadas, principalmente o Exército Brasileiro, passa a funcionar como uma espécie de Poder Moderador, antes exercido pelo Imperador, na complexa engrenagem institucional da República.

Assim, enquanto o Exército ganhou ascendência institucional, a maçonaria vai perdendo o seu papel de ator político, principalmente a partir da Revolução de 30, ganhando, em contrapartida uma ascendência moral sobre a agenda substantiva do país nas áreas cultural e social. Finalizada a consolidação do Estado brasileiro, a maçonaria deve agora ajudar a sociedade nacional a implementar as instituições indispensáveis ao pleno exercício da cidadania. A vertente cultural deverá ser, daqui por diante, um dos espaços da reflexão e da atuação maçônica no Brasil. A construção cultural e a luta contra as desigualdades gritantes tomarão conta do espírito maçônico nos próximos anos.

O desafio maçônico, agora, não é mais a construção da nacionalidade, mas o trabalho intelectual e de formação de nossos preciosos recursos humanos. Tarefas como, a imersão da ideologia e das propostas maçônicas no meio universitário que se tornou uma terra não-maçônica; o desenvolvimento de pesquisas historiográficas sobre o papel da maçonaria desde o Brasil independente até os dias atuais; o resgate, numa volta às fontes primitivas, dos nossos rituais, que pecam pelo sincretismo ritualístico; a melhoria no padrão de recrutamento dos novos maçons, buscando os elementos que sejam líderes nos seus diversos campos, são medidas que deverão ser prioritárias nestes próximos anos.

O desafio é grande, mas temos esperança que a maçonaria brasileira saberá adquirir a sua plenitude cultural neste terceiro milênio, ajudando o país e seu sofrido povo a fazer o desconto histórico tão almejado.

Devemos ajudar o Brasil a reencontrar as suas raízes judaico-cristãs e renascentistas, ajudando os nossos netos a adquirir a habilidade de recriar, nas suas mentes e nos seus corações, as grandes descobertas das gerações anteriores nas ciências e nas artes, evocando a chama divina que habita em cada um de nós. Uma criança que tenha acesso à música clássica, que possa estudar e apreciar os grandes pintores do mundo, saborear as verdades das grandes descobertas científicas, esta criança, nunca se tornará um drogado, pois estará exercitando a sua criatividade no mais alto grau que a espécie humana poderá lhe proporcionar.

O mundo que desejamos para os nossos pósteros não será um mundo dominado pelas epidemias, pelas máfias locais, pelos bandos armados, pela barbárie, pelo caos, pela anarquia. O lema maçônico da liberdade, da igualdade e da fraternidade, já teve pela ideologia de mercado, a hipertrofia da liberdade com as suas distorções do capitalismo espoliador; já teve também, pelas ideologias do comunismo, a hipertrofia da igualdade gerando despotismos execráveis. Falta testar o último pilar da tríade maçônica: a fraternidade. E neste momento a maçonaria terá muito a dizer.

O grande desafio do século XXI será o de incorporar a esse liberalismo um cunho social e democrático. A maçonaria não é mais a força social e ideológica dominante como foi no passado. Outros atores sociais e políticos adentraram à cena social.

segunda-feira, 22 de junho de 2009

alquimia na maçonaria

ALQUIMIA E A MAÇONARIA
pelo Ven.Irmão Lucas Francisco GALDEANO
Podemos afirmar que o maçom tem contato com a Alquimia nos primeiros momentos em que, como candidato, tem contato com a Ordem. A Câmara de Reflexões indiscutivelmente é um legado alquimista, a sua "decoração" com os elementos água, enxofre e sal, que acrescida do mercúrio são substâncias que constituem a Prima Matéria da Alquimia. A Alquimia é estudada sob três aspectos diversos, suscetíveis de interpretações distintas, e que são: o cósmico, o humano e o terrestre. Elas são representadas pelas três propriedades alquímicas: enxofre, mercúrio e sal. Muitos autores afirmam que há três, sete, dez e doze procedimentos respectivamente, porém, todos concordam em que há apenas um único objetivo na Alquimia, que é a transmutação em ouro dos metais mais grosseiros. Porém, este é apenas um dos aspectos da Alquimia, o terrestre ou puramente material, pois, compreendemos logicamente que o mesmo processo seja executado nas entranhas da Terra. Contudo além desta interpretação, há na Alquimia um significado simbólico, psíquico e espiritual.
Como vimos o alquimista procura simbolicamente ouro, isto nada mais é do que o maçom procura, através da sua opus, transformar a pedra bruta em pedra polida, e que é o aprimoramento moral e espiritual do maçom. Enquanto o alquimista cabalista muitas vezes procura a realização do ouro material, o alquimista ocultista, desdenhando o ouro das minas, volta toda a sua atenção e concentra todos os seus esforços na Divina Trindade do homem que, quando, finalmente se fundem, formam apenas um.
Os planos espiritual, mental, psíquico e físico da existência humana são comparados, em Alquimia, aos quatro elementos: fogo, ar, água e terra, e cada um deles é suscetível de uma constituição tripla, a saber: fixa, variável e volúvel. Aqui temos também um outro elo entre a Maçonaria e a Alquimia, mas precisamente nas três viagens que o recipiendário é obrigado a fazer acrescido da prova da Terra que simbolicamente, é a Câmara de Reflexões, a que nos referimos' anteriormente.
A Maçonaria vê na prova do AR (primeira viagem com seus ruídos e trovões) a representação do segundo elemento primordial que com seus meteoros e contínuas flutuações é o emblema da vida, sujeito as contraditórias variações. Na Alquimia o AR é trabalhado através da operação sublimatio. Ela transforma o material em ar por meio de sua elevação e volatilização. O termo "sublimatio" vem do Latim Sublimis, que significa elevado. Isso indica que o aspecto essencial do Sublimatio é um processo de elevação por intermédio do qual uma substância inferior se traduz numa forma superior mediante um movimento ascendente.
Na Maçonaria a água é o oceano e este é um símbolo do povo, a cujos serviços dedicam-se os verdadeiros maçons. Os homens são as gotas do vasto oceano da humanidade, de que as nações são partes.
Na Alquimia a água é a Prima Matéria, idéia que os alquimistas herdaram dos pré-Sócrates. Pensam os alquimistas que uma substância não poderia ser transformada sem antes ter sido reduzida à Prima Matéria. A água é trabalhada através da operação Solutio, esta provoca o desaparecimento de uma forma e o surgimento de uma nova forma regenerada. No poema abaixo, escrito por Lao Tse, a Maçonaria fala a mesma linguagem que a Alquimia, quando tratam de água:

"O menor dos homens é como a água.

A água a todas as coisas beneficia

E com elas não compete.

Ocupa os (humildes) locais visto por todos com desdém

Nos quais se assemelha ao Tao

Em sua morada (o Sábio) ama a (humilde) terra

Em seu coração ama a profundidade

Em suas relações com os outros, ama a gentileza

Em suas palavras, ama a sinceridade

No governo ama a paz

No trabalho, ama a habilidade

Em suas ações ama a oportunidade

Porquanto não quere-la

Vê-se livre de reparos."

O quarto elemento, o fogo, também une os propósitos dos dois colégios. Para a Maçonaria o fogo cujas chamas sempre simbolizam aspiração, fervor e zelo deve lembrar ao iniciado que este deve aspirar a excelência e a verdadeira glória e trabalhar com dedicação nas causas empenhadas, principalmente as do povo, da pátria e da ordem.

Para o alquimista o fogo é tratado na operação calcinatio. Eis porque toda imagem que contém o fogo Livre queimando ou afetando substâncias se relaciona com a calcinatio. O fogo da calcinatio é um fogo purgador, embranquecedor. Atua sobre a matéria negra, a nigredo, tomando-a branca. Diz Basil Valentine: "Deves saber que isso (a calcinatio) é o único meio correto e legítimo de purificar nossa substância." Isso a vincula ao simbolismo do purgatório. A doutrina do purgatório é a versão teológica da calcinatio projetada na vida depois da morte.

Morte, um tema muito caro para os maçons e alquimistas. Na Maçonaria a morte é tratada de forma muito especial, na Lenda de Hiram que perpassa vários graus da Escada de Jacó. O maçom conhece muito bem estas palavras:... o pó volte a Terra e o espírito volte a Deus que o deu...

Para o alquimista a morte também é um processo, uma continuação

que faz parte do trabalho da coagulatio. Esta pertence ao elemento Terra, e costuma ser seguida por outros processos, em geral pela mortificatio e pela putrefactio. Aquilo que se concretizou plenamente ora se acha sujeito à transformação. Tornou-se uma tribulação, que chama à transcendência. Eis como podemos entender as palavras do apóstolo Paulo ao vincular o corpo e a carne à morte: "Quem me libertará do corpo desta morte?... Porque, se vivemos na carne, morreremos; mas se por meio do espírito, mortificarmos os feitos do corpo, viveremos... Porque aquele que vive segundo a carne inclina-se

mas a inclinação do espírito é a vida e paz”.

A identificação do corpo e da carne com a morte deve-se ao fato de que tudo aquilo que nasce no plano espaço-temporal deve submeter-se às limitações dessa existência, que incluem um fim a morte. Esse é o preço do ser real. Uma vez plenamente coagulado ou encarnado, o conteúdo torna-se sem vida, sem maiores possibilidades de crescimento. Emerson exprime essa idéia: "Somente a vida é beneficio, e não a ter vivido. A força cessa no instante do repouso; ela reside no momento da transição de um estado passado para um novo, na voragem do abismo, no arremesso contra o alvo. Eis um fato que o mundo abomina. O fato de a alma vir a ser porquanto isso degrada o passado, tornando todos os bens em pobreza, toda reputação em vergonha, confundindo o santo com o velhaco, varrendo Jesus e Judas para longe, sem distinção.” Realizada a plena coagulatio, vem a putrefactio. Porque o que semeia na sua carne da carne ceifará a corrupção; mas o que semeia no espírito do espírito ceifará a vida eterna. Um texto alquímico trata do mesmo tema: o leão, o sol inferior pela carne se corrompe... Assim, o leão tem corrompida a natureza por meio da sua carne, que segue os ritmos da lua, e é eclipsada. Porque a lua é a sombra do sol, e com o corpo corruptíveis é consumida; e, por meio da destruição da lua, o leão é eclipsado com auxílio da umidade de mercúrio; o eclipse não obstante, é transmutado tomando-se útil e de melhor natureza, e ainda mais perfeito do que o primeiro.

Em vários graus da Maçonaria o crânio é uma peça importante tanto na representação do grau como na ornamentação do templo para o ritual do grau. Pois bem, na alquimia o crânio como momento mori é um emblema da operação da mortificatio. Ele produz reflexões a respeito da mortalidade pessoal de cada um e serve como pedra de toque para os valores falsos e verdadeiros. Refletir sobre a morte pode nos levar a encarar a vida sob perspectiva da eternidade e, desse modo, a negra cabeça da morte pode transformar-se em ouro. Com efeito, a origem e o crescimento da consciência parecem estar vinculados de maneira peculiar à experiência da morte. Talvez o primeiro par de opostos a penetrar na consciência em vias de despertar dos seres humanos primitivos tenha sido o contraste entre o vivo e o morto. E provável que somente a criatura mortal seja capaz de ter consciência. Nossa mortalidade é nossa fraqueza mais importante e derradeira. E essa fraqueza, segundo C. G. Jung, foi o elemento que colocou Jó em vantagem diante de IAHWEH.

Esta palavra é muito significativa em alguns graus da Escola Filosófica da Maçonaria (REAA). IAHWEH é o nome da Divindade expressa no Antigo Testamento do Livro Sagrado. Para o alquimista IAHWEH redime e purifica pelo fogo sagrado, daqueles que passaram pela calcinatio: "Não temas, porque eu te resgatei, eu te chamei pelo teu nome, és meu. Quando passares pelo mar, estarei contigo; quando passares pelos rios eles não te submergirão. Quando passares pelo fogo, a chama não te atingirá e não te queimarás. Pois eu sou IAHWEH, teu Deus, o Santo de Israel, teu Salvador.

O Juízo final pelo fogo corresponde à provação pelo que testa a pureza dos metais e lhes retira todas as impurezas. Há inúmeras passagens do Antigo Testamento que usam metáforas para descrever os testes que IAHWEH submete seu povo eleito. Por exemplo, IAHWEH diz: "Voltarei minha mão contra ti, purificarei as tuas escórias no cadinho, removerei todas as impurezas." (Isa., 1:24,25)

"E eis que te pus na fogueira como a prata, testando-te no cadinho da aflição. Por causa de mim mesmo e só por mim mesmo, agi - deveria meu nome ser profanado? Jamais darei minha glória a outro." (Isa.,48;10,11)

"Eu os levarei ao fogo, e os purificarei como se purifica a prata, e os testarei como se testa o ouro. Eles invocarão meu nome e eu escutarei, respondendo: Eis o meu povo; e todos dirão IAHWEH é meu Deus.” (Zacarias 13:9)

O fogo purifica e santifica a matéria bruta e corrompida, os maçons e alquimistas sabem disso, no entanto, o fogo da Senda Sinistra mata e regride a evolução que o ser procura na sua existência. Este fogo nada mais é do que a luxúria, a inveja e ira. Nesta categoria temos a ira que moveu Nabucodonosor, ao destruir o Templo de Salomão. Ele personifica o motivo do poder, a autoridade arbitrária do ego inflamado, que passa pela calcinatio quando suas pretensões irresistíveis são frustradas pela presença da autoridade transpessoal. Nabucodonosor corresponde ao rei alquímico, que serve de alimento ao lobo e depois é calcinado



Conclusão:

A Maçonaria e os maçons com as suas alegorias de construção, como ferramentas: trolha, esquadro, compasso, régua, maço, cinzel; materiais como tríplice argamassa, de forma alguma querem dar a entender que queiram construir algum prédio material - quando assim o querem contratam uma firma especializada - mas sim a construção de um Templo Espiritual à Divindade Maior, o Grande Arquiteto do Universo. É a procura do auto-conhecimento para purificar o ente de cada obreiro, e a partir daí construir a morada do Espírito Santo como falam os cristãos. Essa construção maçônica percorre vários patamares (Escada de Jacó) e à medida que o maçom vai galgando os seus degraus (os graus maçônicos) ele tem um compromisso com a Lei do Karma de estar mais santificado que no patamar anterior. Da mesma forma o alquimista no seu trabalho de manipulação das substâncias não quer dizer que ele queira conseguir ouro material. Alquimia é a ciência pela qual as coisas podem não ser decompostas e recompostas (como se faz em química), mas também sua natureza essencial pode ser transformada e elevada ao mais alto grau ou ser transmutada em outra.

A química trata apenas da matéria morta, enquanto a Alquimia emprega a vida como fator. Todas as coisas têm natureza tríplice, da qual sua forma material e objetiva é sua manifestação inferior. Assim é que, por exemplo, há ouro espiritual, imaterial; ouro astral etéreo, fluído e invisível, e ouro terrestre, sólido, material e visível. Os dois primeiros são, digamos assim, o espírito e a alma do último e, empregando os poderes espirituais da alma, podemos produzir mudanças nele, a fim de que se, tornem visíveis no estado objetivo.

Certas manifestações exteriores podem ajudar aos poderes da alma em sua operação. Porém, sem os segundos, as manipulações serão totalmente inúteis. Portanto, os procedimentos alquímicos podem ser utilizados com êxito unicamente por aquele que é o alquimista nato ou por educação. Sendo todas as coisas de natureza tríplice, a Alquimia também apresenta um aspecto triplo. No aspecto superior, ensina a regeneração do homem espiritual, a purificação da mente e da vontade, o enobrecimento de todas as faculdades anímicas. No aspecto mais inferior trata das substâncias físicas e, abandonando o reino da alma viva e desvenda matéria morta. Termina na química de nossos dias. A Alquimia é um exercício do poder mágico da livre vontade espiritual do homem e, por esta razão, pode ser praticada apenas por aqueles que renascem espiritualmente.

Por último, passarei a palavra final aos alquimistas, ao citar, in toto, seu texto mais sagrado. A Tábua da Esmeralda de Hermes. Via-se esse texto “como uma espécie de revelação sobrenatural aos filhos de Hermes, feita pelo patrono e sua Divina Arte”. De acordo com a lenda, a tábua da Esmeralda foi encontrada no túmulo de Hermes Trismegistus, por Alexandre o Grande, ou, em outra versão, por Sara, a esposa de Abraão. A princípio, só se conhecia o texto em latim, mas, em 1923, Holmyard descobriu uma versão árabe. É provável que um texto anterior tenha sido escrito em grego e, segundo Jung tinha origem alexandrina. Os alquimistas o tratavam com veneração ímpar, gravando suas afirmativas nas paredes do laboratório e citando-o constantemente em seus trabalhos. Trata-se do epítome críptico da opus alquímica, uma receita para segunda criação do mundo, o unus mundus

A TÁBUA DA ESMERALDA DE HERMES

1. Verdadeiro, sem enganos, certo e digníssimo de crédito.

2. Aquilo que está embaixo é igual àquilo que está em cima, e àquilo que está em cima é igual àquilo que está em baixo, para realizar os milagres de uma só coisa.

3. E, assim como todas as coisas se originam de uma só, pela mediação dessa coisa, assim também todas as coisas vieram dessa coisa, por meio da adaptação.

4. Seu pai é o sol; sua mãe, a lua; o vento a carregou em seu ventre; sua ama é a terra.

5. Eis o pai de tudo, a complementação de todo o mundo.

6. Sua força é completa se for voltada para dentro (ou na direção) da terra.

7. Separa a terra do fogo, o sutil do denso, com delicadeza e com grande ingenuidade.

8. Ela ascendeu da terra para o céu, e desce outra vez para a terra, e recebe o poder do que está em cima e do que está embaixo. E, assim, terás a glória de todo o mundo. Desse modo, toda a treva fugirá de ti.

9. Eis o forte poder da força absoluta; porque ela vence toda coisa sutil e penetra todo sólido.

10. E assim o mundo foi criado.

11. Daqui as prodigiosas adaptações, à feição das quais ela é.

12. E assim sou chamado HERMES TRISMEGISTUS, tendo as três partes da filosofia de todo o mundo.

13. Aquilo que eu disse acerca da operação do sol está terminado.

BIBLIOGRAFIA

1) Blavatsky, Helena P. Glossário Teosófico. São Paulo: Global Editora e Distribuidora

2) Edinger, Edward F. Anatomia da Psique: O Simbolismo Alquímico da Psicoterapia

3) Figueiredo, Joaquim Gervásio de Dicionário de Maçonaria. São paulo: Pensamento/1987

4) Rituais do Grande Oriente do Brasil e do Supremo Conselho do Brasil para o Rito Escocês Antigo e Aceito ( R.·.E.·.A.·.A.·.).

domingo, 21 de junho de 2009

estrle de cinco pontas e a letra g dentro

Através dos séculos houve sempre a preferência por uma estrela de cinco pontas como figura dos astros de aparência menor do que a do sol e da lua. O planeta Vênus tem sido representado assim e é considerado uma estrela matinal e vespertina, ensejou lendas sem conta. Por outro lado, A Estrela de Cinco Pontas sempre foi, desde tempos remotos e até hoje, o distintivo de comandantes militares, e de generais.

Como Símbolo Maçônico, A Estrela Flamejante de origem Pitagórica, pelo menos quanto ao seu formato e significado, este muito mais antigo do que aqueles que lhe deram alquimia, a magia e o ocultismo, durante a idade média. O seu sentido mágico alquímico e cabalístico e o seu aspecto flamejante foram imaginados ou copiados por Cornélio Agrippa de Nettesheim (1486-1533), jurista, médico e teólogo, professor em diversas cidades européias. A magia, dizia ele, permite a comunicação com o superior para dominar o plano inferior. Para conquistá-la seria necessário morrer para o mundo (iniciação). Símbolo e distintivo dos Pitagóricos, A Estrela de Cinco Pontas ou Estrela Homonial é também denominada com impropriedade etimológica, Pentáculo (cinco cavidades), Penta Grama (cinco letras ou sinais gráficos, cinco princípios) ou Pentalfa. Importa saber que os pitagóricos a usam para representar a sabedoria (sophia) e o conhecimento (gnose) e provavelmente empregavam no interior do pentáculo a letra gama, de gnosis.

A Estrela Flamejante era símbolo desconhecido pelos pedreiros livres medievais. Seu aparecimento na Maçonaria, a partir de 1737, não encontrou guarida em todos os Ritos, pois o certo é que os construtores medievais conheciam a figura estelar apenas como desenho geométrico e não com interpretações ocultas que se introduziram na Maçonaria especulativa. A Estrela Flamejante corresponde ao Pentagramaton ou Tríplice Triângulo cruzado dos pitagóricos. Distingue-se do Delta ou Triângulo do Oriente, embora, entre os antigos egípcios representasse também Horus que em lugar do pai, Osíris passou a governar as estações do ano e o movimento.

O verdadeiro sentido da Estrela Flamejante é Homonial, eis que o símbolo designa o homem espiritual, o indivíduo dotado de alma, ou de fator de movimento e trabalho. Ou seja, o indivíduo como espírito ou fagulha interna que lhe concedeu o G.·.A.·.D.·.U.·. . A ponta superior da Estrela é a cabeça humana, a mente. As demais pontas são os braços e as pe rnas. Na Maçonaria essa idéia serve para lembrar ao Maçom que o homem deve criar e trabalhar, isto é, inventar, planejar, executar e realizar, com sabedoria e conhecimento. Pode ocorrer que o ser humano falhe nos seus desígnios. O Maçom também pode falhar como ser humano, mas seu dever é imitar, dentro de seus ínfimos poderes o G.·. A.·. D.·. U.·., o ser dos seres. Aí está O principal segredo do Grau de C... . Outra interpretação é a que se refere a 3+2=5, soma em que três é a divindade cuja fagulha é encarnada e dois é o material, o ser que se reproduz por dois sexos opostos e não consegue perpetuar-se de outro modo.

As cinco pontas da Estrela ainda lembram os cinco sentidos que estabelecem a comunicação da alma com o mundo material. Tato, audição, visão, olfato e paladar, dos quais para os Maçons três servem a comunicação fraternal, pois é pelo tato que se conhecem os toques Pela audição se percebem as palavras , e pela visão se notam os sinais. Mas não se pode esquecer o paladar, pelo qual se conhecem as bebidas amargas e doces, bem como o sal, o pão e o vinho. Finalmente pelo olfato se percebem as fragrâncias das flores e os aromas do altar de perfumes. A letra "G", interior com o significado de gnose ou conhecimento lembra a quinta essência, quanto ao transcendental. Quanto ao Homonial, lembra ao Maçom o dever de conhecer-se a si mesmo. No Grau de Companheiro recomenda-se ao Maçom o dever de analisar as próprias faculdades e bem empregar os poderes pessoais em benefício da humanidade.

POSIÇÃO DA ESTRELA FLAMEJANTE NO TEMPLO
Os Rituais do mundo e os diversos Ritos Maçônicos não se entendem também quanto à colocação da Estrela Flamejante no alto do recinto do Templo. Uns a colocam no oriente a frente do trono, outros a configuram no interior do D.·., o que parece mais sugestivo, principalmente quando o Obreiro na elevação de Grau é chamado a contemplar o Triângulo Radiante. Outros, entendendo que ela é de brilho intermediário, isto é, de luminosidade simbolicamente situada entre a luz ativa do sol e a luz próxima ou reflexa da lua, mandam situá-la no meio do teto do Templo, dependurada, ou pelo menos no meio-dia, onde à maneira inglesa está o 2º Vigilante. Outros a consideram uma Estrela do Ocidente. Lojas do Rito Moderno as têm colocado no ocidente ao lado do 2° Vig.·. (norte). Entende-se que a melhor forma é se colocar a Estrela Homonial no meio do teto do Templo, ou de maneira que o Iniciado possa contemplar o Símbolo quando é chamado a fazê-lo.

SIGNIFICADOS MAÇÔNICOS DA LETRA G NO INTERIOR DO PENTAGRAMA
Ficou demonstrado que a melhor significação do G central do pentagrama é gnose=conhecimento. O caráter Homonial da Estrela Flamejante é indiscutível, a luz das fontes pitagóricas e das referências gregas e romanas. Ninguém negaria ao Símbolo o seu sentido mágico, eis que Pitágoras se dedicava à magia. No pentagrama a letra G quer dizer principalmente gnose, porém para satisfazer gregos e troianos tem que se acrescentar os significados, GERAÇÃO, GÊNIO, GEOMETRIA e GRAVITAÇÃO, e também GLÓRIA PARA DEUS, GRANDEZA PARA O VENERÁVEL DA LOJA, ou para A LOJA, e tem sido registrado em muitos Rituais Maçônicos na tentativa de se encontrar ligação entre estes hipotéticos significados da letra "G". Diz-se que GERAÇÃO estaria ligada ao princípio (gênesis da Bíblia) ou a Arquem, dos gregos. Gênio seria o correspondente a "DJINN" dos árabes e a "GINES" dos persas, que no ocultismo tange aos chamados "ELEMENTAIS" ou "SEMI-INTELIGENTES ESPÍRITOS DA NATUREZA" e em outras interpretações quer dizer o espírito criador ou inventor, ou a chama realizadora. GEOMETRIA, ciência da medida das extensões, que lembra as regras do grande geômetra para realizar a Arquitetura do Universo. Na sabedoria ela provocou os diálogos sobre ORDEM, EQUlLÍBRIO e HARMONIA. A GRAVITAÇAO lembra Newton e sua lei: A matéria atrai a matéria na razão direta das massas e na razão inversa do quadrado das distâncias. ARQUEU, O PRINCÍPIO, O FOGO REALIZADOR A palavra Arqueu, que deriva do grego que queria dizer, princípio, principal, primeiro, príncipe, reino, domínio.

Para os gregos, a palavra tinha o sentido de poder formador da natureza. Seria a essência vital que exprime as propriedades e as características das coisas. Por comparação, corresponderia ao sopro divino que deu vida a Adão na Bíblia. Ensinam certas instruções maçônicas o motivo simbólico das chamas que envolvem a Estrela Pentacular, relembrando Arqueu, o Fogo Realizador, ou ensinando que a letra G significa o gênio ou a BUSCA SAGRADA que anima o C.·. M.·. . à realização.

Tem-se afirmado que a Estrela Flamejante traduz a luz interna do C.·. M:. ou que representa o próprio homem Maçom dotado da luz divina que lhe foi transmitida. A estrela de cinco pontas é então a força que impulsiona o companheiro em direção das suas metas e da sentido as suas realizações, o numero cinco a qual a estrela faz alusão se funde na alma do companheiro que uma vez elevado a um patamar mais alto pode vislumbrar as luzes desta estrela e pode-se então guiar por esta luz pra que a sua caminhada que já é longe das trevas do mundo profano possa se refinar e dar sentido a sua obra interior, absorvendo a luz desta estrela que representa o corpo humano e utilizando a quintessencia o companheiro desperta para as luzes do saber e da compreensão da humanidade e do sentido oculto do saber e do realizar.

Que o GADU ilumine as nossas mentes para que posemos sempre caminhar longe das trevas e em direção a sua Luz. .

sábado, 20 de junho de 2009

sexta-feira, 19 de junho de 2009

maçonaria




  • O que é Maçonaria?
    A Maçonaria é uma instituição essencialmente filosófica, filantrópica, educativa e progressista.




  • Por que é filosófica?
    É filosófica porque em seus atos e cerimônias ela trata da essência, propriedades e efeitos das causas naturais. Investiga as leias da Natureza e relaciona as primeiras bases da moral e da ética pura.




  • Por que é filantrópica?
    É filantrópica porque não está constituída para obter lucro de nenhuma classe, pelo contrário, suas arrecadações e seus recursos se destinam ao bem estar do gênero humano, sem distinção de nacionalidade, sexo, religião ou raça.

    Procura conseguir a felicidade dos homens por meio da elevação espiritual e pela tranqüilidade da consciência.




  • Por que é progressista?
    É progressista porque, partindo do princípio da imortalidade do espírito e da crença em um princípio criador regular e infinito, não se aferra a dogmas, prevenções ou superstições e não opõe nenhum obstáculo ao esforço dos seres humanos na busca da verdade, nem reconhece outro limite nessa busca senão a da razão com base na ciência.




  • Quais são seus princípios?
    A liberdade dos indivíduos e dos grupos humanos, sejam eles instituições, raças ou nações; a igualdade de direitos e obrigações dos seres e grupos sem distinguir a religião, raça ou nacionalidade; a fraternidade de todos os homens, já que somos todos filhos do mesmo Criador e, portanto, irmãos.




  • Qual é o seu lema?
    Ciência, Justiça e Trabalho. Ciência para esclarecer os espíritos e elevá-los; Justiça, para equilibrar e enaltecer as relações humanas; e Trabalho por meio do qual os homens se dignificam e se tornam independentes.




  • Qual é seu objetivo?
    Seu objetivo é a investigação da verdade, o exame da moral e a prática das virtudes.




  • O que entende a Maçonaria por Moral?
    A moral é, para a Maçonaria, uma ciência baseada no entendimento humano. É a lei natural e universal que rege todos os seres racionais e livres. É a demonstração científica da consciência. E essa maravilhosa ciência nos ensina nossos deveres e a razão do uso dos nossos direitos. Ao penetrar a moral no mais profundo da nossa alma sentimos o triunfo da Verdade e da Justiça.




  • O que entende a Maçonaria por Virtude?
    A Maçonaria entende que a Virtude é a força que nos impele a fazer o bem em seu mais amplo sentido; é a força que nos impele ao cumprimento de nossos deveres para com a sociedade e para com a nossa família sem interesse pessoal.




  • O que entende a Maçonaria por Dever?
    A Maçonaria resume o Dever do homem assim: "Respeito a Deus, amor ao próximo e dedicação à família". Em verdade, essa é a maior síntese da fraternidade universal.




  • A Maçonaria é religiosa?
    Sim, é religiosa porque reconhece a existência de um único princípio criador, regulador, absoluto, supremo e infinito ao qual dá o nome de Grande Arquiteto do Universo; é religiosa porque é uma entidade espiritualista em contraposição ao predomínio do materialismo. Estes fatores, indispensáveis para a interpretação lógica do Universo, formam a base de sustentação e são as grandes diretrizes de toda a ideologia e atividade maçônica.




  • A Maçonaria é uma religião?
    Não. A Maçonaria não é uma religião. É uma sociedade que tem por objetivo unir os homens, no sentido mais amplo e elevado do termo e, nesse seu esforço de união dos homens, admite em seu seio pessoas de todos os credos religiosos sem nenhuma distinção.




  • Para ser Maçom é necessário renunciar a religião a qual se segue?
    Não, porque a Maçonaria abriga em seu seio homens de qualquer religião, desde que acreditem em um só Criador. A afirmação de que era necessário renunciar a religião para ser recebido Maçom foi feita e acreditada como verdade, pela perseguição da Inquisição, na Idade Média, com alguns resquícios até os dias atuais, principalmente entre os membros da comunidade Católica mas, ilustres prelados tem pertencido à Ordem Maçônica como, por exemplo, o Cura Hidalgo, Paladino da Liberdade Mexicana; o Padre Calvo, fundador da Maçonaria na América Central; o Arcebispo da Venezuela, Don Ramon Ignácio Mendez; o Padre Diogo Antonio Feijó; Cônegos Luiz vieira, José da Silva de Oliveira Rolin, da Inconfidência Mineira, Frei Miguelino, Frei Caneca e muitos outros.




  • Quais outros homens ilustres foram Maçons?
    Filósofos como Voltaire, Goethe e Lessing; músicos como Beethoven, Haydn e Mozart; militares como Frederico, o Grande, Napoleão e Garibaldi; poetas como Byron, Lmartine e Hugo; escritores como Castellar, Mazzini e Espling.




  • Somente na Europa houve Maçons ilustres?
    Não. Também na América houve. Os libertadores da América foram todos Maçons. Washington nos Estados Unidos; Miranda, o Padre da Liberdade sul-americana; San Martin e O'Higgins, na Argentina; Bolivar, no norte da América do Sul, Marti, em Cuba; Benito Juarez, no México e o Imperador D. Pedro I, no Brasil.




  • Quais os nomes de destaque no Brasil que foram Maçons?
    D. Pedro I, José Bonifácio, Gonçalves Lêdo, Luis Álves de Lima e Silva (Duque de Caxias), Deodoro da Fonseca, Floriano Peixoto, Prudente de Morais, Campos Salles, rodrigues Alves, Nilo Peçanha, Hermes da Fonseca, Wenceslau Braz, Washington Luiz, rui Barbosa e muitos outros.




  • A Maçonaria é tolerante?
    A Maçonaria é eminentemente tolerante e exige dos seus membros a mais ampla tolerância. Respeita as opiniões políticas e crenças religiosas de todos os homens, reconhecendo que todas as religiões e ideais políticos são igualmente respeitáveis, rechaçando toda pretensão de outorgar situações de privilégio a qualquer uma delas em particular.




  • O que a Maçonaria combate?
    A ignorância, a superstição, o fanatismo, o orgulho, a intemperança, o vício, a discórdia, a dominação e os privilégios.




  • A Maçonaria é uma sociedade secreta?
    Não. Pela simples razão de que sua existência é amplamente conhecida. As autoridades de vários países lhe concedem personalidade jurídica. Seus fins são amplamente difundidos em dicionários, enciclopédias, livros de história etc. O único segredo que existe e não se conhece senão por meio do ingresso na instituição, são os meios usado pelos Maçons para se reconhecerem entre si, em qualquer parte do mundo e o modo de interpretar seus símbolos e os ensinamentos neles contidos.




  • Quais são as principais obras da Maçonaria no Brasil?
    A Independência, a Abolição da Escravatura e a República. Isto para citar somente os três maiores feitos da nossa história nos quais os Maçons tomara parte ativa.




  • Quais são as condições indispensáveis para poder pertencer à Maçonaria?
    Crer na existência de um princípio Criador; ser homem livre e de bons costumes; ser consciente de seus deveres para com a Pátria, seus semelhantes e consigo mesmo; ter uma profissão ou ofício lícito e honrado que permita prover as suas necessidades pessoais, de sua família e a sustentação das obras da instituição; ser convidado por um Maçom e aprovado pelos demais.




  • O que se exige dos Maçons?
    Em princípio, tudo aquilo que se exige para o ingresso em qualquer outra instituição: respeito aos seus estatutos e regulamentos, além de acatamento às resoluções da maioria, tomadas de acordo com os seus princípios que as regem os quais, no caso da Maçonaria, são: "amor à Pátria, respeito aos governos legalmente constituídos e às leis do país". Em particular, se exige: a guarda do sigilo dos rituais maçônicos; conduta correta e digna dentro e fora da Maçonaria; dedicação de parte do seu tempo para assistir às reuniões maçônicas; prática da moral, da igualdade e da solidariedade humana e da justiça em toda sua plenitude. Além disso, proíbe terminantemente dentro da instituição, ou em seu nome, as discussões político partidárias ou religiosas sectárias, porque prefere uma ampla base de entendimento evitando que sejam divididos por pequenas questões da vida civil.




  • O que é um Templo Maçônico?
    É um lugar onde se reúnem os Maçons periodicamente para praticar as cerimônias ritualísticas que lhe são permitidas, em um ambiente fraternal e propício pra concentrar suas atenções e esforços para melhorar seus caráter e espírito, desenvolvendo seu sentimento de responsabilidade, fazendo-lhes meditar tranqüilamente sobre a missão dos homens na vida e recordando-lhes constantemente os valores eternos cujo cultivo lhes possibilitará acerar-se da Verdade.




  • O que se obtém sendo Maçom?


    A possibilidade de se aperfeiçoar, de se instruir, de se disciplinar, de conviver com pessoas que por suas palavras e obras podem se constituir de exemplos, de encontrar afetos fraternais em qualquer lugar do mundo, de ter a enorme satisfação de haver contribuído, mesmo em pequena parcela, para a obra moral e grandiosa do desenvolvimento humano.

    A Maçonaria não considera possível o progresso senão com base do respeito à personalidade, à justiça social e a mais estreita solidariedade entre os homens. Ostenta o seu lema "Liberdade, Igualdade e Fraternidade" com a abstenção das bandeiras políticas e religiosas. O segredo maçônico, que de má fé e caluniosamente tem se servido os seus inimigos para fazê-la suspeita entre os espíritos cândidos ou em decadência não é um dogma senão um procedimento, uma garantia, uma defesa necessária e legítima, como inevitavelmente tem sucedido com todo direito e seu dever correlativo, o preceito das reservas maçônicas já tem experimentado sua evolução nos tempo e segundo os países. A Maçonaria não tem preconceito de poderes e nem admite em seu seio pessoa que não tenha um mínimo de cultura que lhes permitam praticar os seus sentimentos e tenham uma profissão ou renda com que possam atender às necessidades dos seus familiares, fazer face às despesas da sociedade e socorros aos necessitados.

  • quinta-feira, 18 de junho de 2009

    maçonaria

    Ir Kurt Max Hauser

    Uma das perguntas mais intrigantes que se ouve, especialmente dos maçons recém iniciados, é sobre a origem de nossa Ordem. Mesmo maçons já mais experientes apresentam as origens mais diversas para começo da Maçonaria. Vamos ver a opinião exposta por alguns dos mais sérios escritores maçons.

    O Irmão J. G. Findel, que nasceu em 1828 e faleceu em 1905, escreve em seu livro "História da Maçonaria", página 19: "Cegos pela ambiciosa vaidade de fazer atingir a origem da Instituição a uma antiguidade remota, alguns procuram atribuir a ilustração de certos membros ou se deixam extraviar pela analogia de certos símbolos e velhos costumes de Lojas com os antigos mistérios. Em lugar de inquirir como se introduziram esses usos na Maçonaria, apoiam-se em hipóteses para fazer sair delas a própria Instituição".

    O Irmão Albert Lantoine, que nasceu em 1869, escreve em sua obra 'Trane-Maçonnerie chez Elle, na página 4: "O erro da maior parte dos escritores maçons consiste na preocupação que tiveram e na tentativa feita de basear a história da Instituição no seu simbolismo. Em virtude dos seus sinais de reconhecimento, de seus atributos e das normas do seu cerimonial terem alguma semelhança com os ntos das sociedades antigas, foram levados a deduzir - e a crer - que pertenciam a elas

    J. Berteloot, padre jesuíta e profundo estudioso da Ordem, escreve em sua obra "Les Franc Maçons devant I'Histoire, na página 13: "Segundo a opinião quase unânime dos historiadores sérios que estudaram a Maçonaria, a sua origem mais verdadeira é a mais verossímil: ela descende das antigas corporações de mestres-pedreiros construtores de catedrais e igrejas, corporações formadas sob a influência da Igreja na Idade Média".

    O Irmão Paul Naudon escreve em sua obra "Les Origines Religicuses et Corporatives de Ia Franc-Maçonnerie", na página 7: "Realmente, a história da Maçonaria é mal conhecida. As obras não faltam, sem dúvida, mas os historiadores são raros. A maior parte é apologia ou panfletos detratores, isto é, obras impregnadas de paixão, defeito inconciliável com o espírito Histórico".

    Se fizermos uma verificação profunda, veremos que a primeira referência sobre a Maçonaria como organização surgiu em 1356, quando um Código de Regulamentos Maçônicos foi formalmente apresentado, na sede da Municipalidade de Londres, na Inglaterra. Em 1376, encontramos informações sobre a Companhia Maçônica de Londres, e é interessante observar sua evolução. De acordo com a Grande Loja, em 1463 ela arrendou terras e edifícios por 99 anos, sendo que as edificações foram transformadas em sede da Corporação Maçônica. No ano de 1472 recebeu a concessão de um Escudo, com a inscrição "Deus é nosso guia" e que, mais tarde, foi substituído pela expressão "Confiamos no Senhor". Este Escudo, levemente modificado, continua incluído no Escudo atual da Grande Loja Unida da Inglaterra.

    O primeiro documento escrito conhecido sobre a Franco-Maçonaria é o chamado Poema Regius. Quem descobriu este poema foi um estudioso que não era maçom, chamado J. O. Halliwell-Phillips (o nome Phillíps foi acrescentado por ele mais tarde, para contentar seu padrasto). Este poema estava catalogado sob o título "Um Manuscrito de Obrigações Morais", no Museu Britânico. Sua história é incerta, porém, aparentemente, pertenceu durante algum tempo a John Thomas. O primeiro proprietário conhecido foi John Thayer, um colecionador de antiguidades que faleceu em 1673. Sua avó, Ann Hart Thayer, ofereceu sua biblioteca e antiguidades para a biblioteca de Bodley, em Oxford, porém a mesma não se interessou pelo assunto e assim todo o acervo foi vendido para Robert Scott, comerciante de livros em Londres, e depois foi vendido para Carlos II, em 1678, pelo preço de dois "shillings". Tornou-se depois parte da Biblioteca Real de Henrique VII, por isto o nome de Regius dado ao manuscrito. Em 1757, a Biblioteca foi dada de presente para o Museu Britânico por Jorge II. Em sua homenagem, a coleção ficou conhecida como "Coleção Regius".

    Em 1839, Hailiwell apresentou um trabalho sobre este manuscrito, uma parte do seu trabalho foi publicado na revista "Arqueologia" em 1840 e, no mesmo ano, o poema foi reproduzido diversas vezes. Foi escrito por volta de 1390, tendo sido evidentemente copiado de um documento mais antigo. Escrito em um inglês antigo, era de difícil leitura para ser decifrado por um não lingüista. No decorrer dos anos seguintes, foi adaptado ao inglês moderno.

    De acordo com o Manuscrito Regius, o Rei Athelstan, que subiu ao trono da Inglaterra em 925, foi neto de Alfredo, o Grande, e faleceu no ano de 940. Convocou os maçons para um encontro e então lhes deu novos e modernos regulamentos e os enviou mundo afora. James Anderson afirma que isto aconteceu no ano de 926 na cidade de York. O historiador e escritor maçom Coil, entretanto, observa que, nos documentos mais antigos e que são o Regíus e o Cooke, não mencionam a cidade de York, e inclusive discorda da data anual de 926, achando que provavelmente a reunião teria sido em 932.
    Sem dúvida alguma, o livro mais detalhado sobre a Maçonaria e sua evolução é de Robert Freke Gould, em três volumes "A História da Franco-Maçonaria" pois ele, de maneira cautelosa, baseou-se em uma documentação séria, não se deixando levar por fantasias.

    Os documentos mais antigos de Lojas foram encontrados na Escócia e existem até os dias atuais. Os documentos escritos da Loja "Mary's Chapel, da cidade de Edinburg, existem completos desde 1599. Na Inglaterra, de acordo com Gould," somente os documentos da Loja "Alnwick" entre as datas de 1700 e 1717 são conhecidos". De diversas fontes, sabemos do ingresso de Elias Ashmole em data de 16 de outubro de 1646, conforme consta em seu diário: 'Fui feito Franco-Maçom em Warrenton, no Lancashire, em companhia de Heniy Maínwanng" Ele ainda acrescentou o nome de sete membros da Loja. Os documentos desta Loja estão desaparecidos. Outrossim, não sabemos exatamente quando a Franco-Maçonaria ingressou na Irlanda. Provavelmente foi após a formação da Grande Loja da Inglaterra que iniciou a existência oficial da Maçonaria na Irlanda. Sem dúvida alguma, havia conhecimento de Maçonaria, pelo menos nos primórdios de 1688.

    O Manuscrito de Cook, de 1410, continha o primeiro elo de ligação entre os maçons e o Rei Salomão. Harry Carr, em seu trabalho "Grande Loja", transcreveu o seguinte do Manuscrito: "Quando da construção do Templo de Salomão, que o Rei David iniciou, pois, este tinha grande apreço pelos maçons e lhes deu incumbências aproximadamente como as atuais. E quando da construção do Templo na época de Salomão, assim como está escrito na Bíblia, no III Livro de Reis". "Salomão tinha quatro mil maçons a seu serviço; e o filho do Rei de Tiro foi seu Mestre Maçom".

    Grande grupo de historiadores acreditam que a Franco-Maçonaria seja descendente dos pedreiros. Ora, sem dúvida alguma, os pedreiros devem ter existido de alguma forma por todo o mundo, desde os primórdios, muito tempo antes da construção das pirâmides no Egito. Não há necessidade de muita fantasia para imaginar que existiram pedreiros ou outros artífices, desde que o homem primitivo começou a construção para abrigar-se das intempéries em casas ou edifícios. Isto, sem dúvida, necessitava de algum tipo de organização tomando-se, sem dúvida, uma especialização. Histórias na Bíblia e em outros velhos documentos contém esta teoria.

    Não podemos ir além do século XVI para encontrar maçons especulativos nas Lojas Operativas, entretanto, não podemos deixar de acreditar que, anteriormente a este século, tenha havido alguma ligação entre clérigos e outras pessoas de certa cultura como os pedreiros operativos que, em sua maioria, não podiam ler nem escrever. Na obra "Grande Loja" se menciona que o primeiro registro de maçons não operativos aceitos foi em julho de 1634, quando Lord Alexander, Sir Anthony Alexander e Sir Alexander Strachan foram admitidos como "companheiros" na Loja de Edinburg (Mary's Chapel). O escritor Coil afirma da existência de maçons não operativos desde 1600, entretanto, McLeod acredita que isto não está correto, pois não há prova alguma. John Boswell, não operativo, assistiu a um julgamento de um Vigilante e não a uma sessão de Loja. O historiador Coil encontrou o ingresso de não operativos em Kelso no ano de 1652; em Aberdeen, no ano de 1670, e em Kilwinning em 1672. Outrossim, ele descobriu o último maçom operativo como membro da Loja Glasgow, em 1842.

    Sobre a origem da palavra "Loja" igualmente há muita especulação. Pelos dicionários, temos a informação de que originou-se, provavelmente, das construções ou barracões onde os pedreiros trabalhavam e viviam junto às obras que estavam construindo. Lojas de maçons são mencionadas em 1352, na Catedral de Minster, na Catedral de Canterbury, em 1429, na Igreja de São Nicolau de Aberdeen, em 1483 e na Igreja de St. Giles, em Edinburg, em 1491. "Loja", primeiramente, se referia a organizações não fixas e permanentes, porém gradualmente se transformaram em locais fixos, como a de Edinburg em 1598.

    quarta-feira, 17 de junho de 2009

    pentagrama







    O Pentagrama é um poderoso símbolo representando a operação do Espírito sobre os Quatro Elementos. Estes são governados pelo nome Yehovah (YHVH). Mas a letra Shin, representando o Espírito, sendo adicionado a este nome transforma-o em Yeheshuah (YHShVH), o Espírito sobre a Matéria.





    Formas de traçá-lo



    Traçado com uma só ponta para cima, representa o domínio do Espírito Divino. Porém, quando desenhado com as duas pontas para cima, é considerado um símbolo maligno, afirmando o império da matéria sobre o do Espírito Divino (que deveria governá-la).



    Na Wicca, o Pentagrama traçado com uma ponta para cima é considerado um símbolo de sua Deusa, enquanto o contrário disto representa seu Deus cornífero.



    As pontas do Pentagrama



    Cada ponta do Pentagrama representa um elemento, conforme esquema que pode ser observado na seguinte imagem:





    Banindo e Invocando



    Existem diferentes formas de traçar o símbolo no Ritual Menor do Pentagrama, Banindo e Invocando em cada Elementos, para trabalhos mais específicos em cada um destes.










    Origens e difusões

    Num dos mais antigos significados do pentagrama, os Hebreus designavam como a Verdade, para os cinco livros do Pentateuco (os cinco livros do Velho Testamento, atribuídos a Moisés). Na Grécia Antiga,era conhecido como Pentalpha, geometricamente composto de cinco

    O pentagrama também é encontrado na cultura chinesa representando o ciclo da destruição, que é a base filosófica de sua medicina tradicional. Neste caso, cada extremidade do pentagrama simboliza um elemento específico: Terra, Água, Fogo, Madeira e Metal. Cada elemento é gerado por outro, (a Madeira é gerada pela Terra), o que dará origem a um ciclo de geração ou criação. Para que exista equilíbrio é necessário um elemento inibidor, que neste caso é o oposto (a Água inibe o Fogo).

    Pentagrama Chinês
    Pentagrama Chinês

    A geometria do pentagrama e suas associações metafísicas foram exploradas por Pitágoras e posteriormente por seus seguidores, que o consideravam um emblema de perfeição. O símbolo utilizado pela Escola de Pitágoras era o pentagrama, que, como descobriu ele, possuia algumas propriedades interessantes. Um pentagrama é obtido traçando-se as diagonais de um pentágono regular; pelas interseções dos segmentos desta diagonal, é obtido um novo pentágono regular, que é proporcional ao original exatamente pela razão áurea.

    A geometria do pentagrama ficou conhecida como A Proporção Divina, que ao longo da arte pós-helênica, pôde ser observada nos projetos de alguns templos. Era um símbolo divino para os druidas. Para os celtas, representava a deusa Morrighan (deusa ligada ao Amor e a Guerra). Para os egípcios, era o útero da Terra, mantendo uma relação simbólica com as pirâmides.

    Os primeiros cristãos tinham o pentagrama como um símbolo das cinco chagas de Cristo. Desse modo, visto como uma representação do misticismo religioso e do trabalho do Criador. Também era usado como símbolo da comemoração anual da visita dos três Reis Magos ao menino Jesus. Ainda, em tempos medievais era usado como amuleto de proteção contra demônios.

    Na localização do centro da Ordem dos Templários, ao redor de Rennes du Chatres, na França, é notável observar um pentagrama natural, quase perfeito, formado pelas montanhas que medem vários quilômetros ao redor do centro. Ainda é possível perceber, a profunda influência do símbolo, em algumas Igrejas Templárias em Portugal, que possuem vitrais na forma de Pentagramas. No entanto, Os Templários foram dizimados pela mesquinhez da Igreja e pelo fanatismo religioso de Luis IX, em 1303. Iniciou-se assim a Idade das Trevas, onde se queimavam, torturavam e excomungavam qualquer um que se opusesse a Igreja. Nessa época o pentagrama simbolizou a cabeça de um bode ou do diabo, na forma de Baphomet, o mesmo que a Igreja acusou os Templários de adorar. Assim sendo, o pentagrama passou de um símbolo de segurança à representação do mal, sendo chamado de Pé da Bruxa.

    Pentagrama Invertido
    Pentagrama Invertido

    Ao fim da era das Trevas, as sociedades secretas começam novamente a realizar seus estudos sem o medo paranóico das punições da Igreja. Ressurge o Hermetismo, e outras ciências misturando filosofia e alquimia. Floresce então, o simbolismo gráfico e geométrico, emergindo a Renascença numa era de luz e desenvolvimento. O pentagrama agora, significa o Microcosmo, símbolo do Homem de Pitágoras representado através de braços e pernas abertas, parecendo estar disposto em cinco partes em forma de cruz (O Homem Individual). A mesma representação simboliza também o Macrocosmo, o Homem Universal, um símbolo de ordem e perfeição, a Verdade Divina.

    Microcosmo
    Microcosmo

    Agrippa, mostra proporcionalmente a mesma figura, colocando em sua volta os cinco planetas e a Lua no ponto central (genitália) da figura humana. Outras ilustrações do mesmo período foram feitas por Leonardo da Vinci, mostrando as relações geométricas do Homem com o Universo.

    Posteriormente, o pentagrama também foi associado aos quatro elementos essenciais (terra, água, ar e fogo) mais o quinto, que simboliza o espírito (a Quintessência dos Alquimistas e agnósticos) .

    Na Maçonaria, o Laço Infinito (como também era conhecido o pentagrama, por ser traçado com uma mesma linha) era o emblema da virtude e do dever. O homem microcósmico era associado ao Pentalpha (a estrela de cinco pontas), sendo o símbolo entrelaçado ao trono do mestre da Loja.

    Com Eliphas Levi, o pentagrama pela primeira vez, através de uma ilustração, foi associado ao conceito do bem e do mal. Ele ilustra o pentagrama Microcósmico ao lado de um pentagrama invertido (formando a cabeça do bode, Baphomet).

    O pentagrama voltou a ser usado em rituais pagãos à partir de 1940 com Gerald Gardner. Sendo utilizado nos rituais simbolizando os três aspectos da deusa e os dois do deus, surgindo assim a nova religião Wicca. Desse modo, o pentagrama retoma sua força como poderoso talismã, ajudado pelo aumento do interesse popular pela bruxaria e Wicca, que à partir de 1960, torna-se cada vez mais disseminada e conhecida. Essa ascensão da Wicca, gera uma reação da Igreja da época, chegando ao extremo quando Anton LaVey adota o pentagrama invertido (em alusão a Baphomet de Levi), como emblema da sua Igreja de Satanás, e faz com que a Igreja Católica considere que o pentagrama (invertido ou não) seja sinônimo de símbolo do Diabo, difundindo esse conceito para os cristãos. Assim naquela época, os Wiccanos para se protegerem dos grupos religiosos radicais, chegaram a se opor ao uso do pentagrama.




    pentagramas

    terça-feira, 16 de junho de 2009

    allan kardec

    Allan Kardec Maçom ?

    Paulo Roberto Martins

    O Jornal do Commercio em sua edição de 27/10/2002, traz uma reportagem sobre a modernização da legislação na “Grande Loja de Pernambuco” com uma entrevista do grão-mestre-adjunto, juiz trabalhista Milton Gouveia. Anexo a matéria publicada, foi colocado um quadro em que dava o nome de alguns maçons notáveis, sendo primeiro o de Allan Kardec dentre alguns outros.

    Ficamos bastante surpresos pois nunca tínhamos tido tal informação em nenhum tipo de leitura anterior e pela convicção de que alguns elementos essenciais que constituem a confraria maçônica não fazem parte da doutrina espírita, como por exemplo: O espiritismo não tem estrutura hierárquica, não tem mestres, não tem templos suntuosos, não adota cerimônia de espécie alguma, não tem rituais, não usa vestes especiais, não tem qualquer simbologia, não utiliza ornamentações associadas a práticas exteriores, não tem gestos de reverência, não tem sinais cabalísticos, não tem dogmas indiscutíveis ...

    Resolvemos então trilhar o bom e velho caminho das perguntas e pesquisas na solução da dúvida em questão, obtendo por resultado dois bons indicadores do fato histórico:

    1 – No livro “História da magia, do ocultismo e das sociedades secretas” tomo VII: No século de Allan Kardec, autores – Danielle Hemmert e Alex Roudene temos o seguinte:

    “Segundo alguns biógrafos, depois de alguns anos de preparatórios, Hippolyte Rivail teria deixado por algum tempo o castelo de Yverdon para estudar medicina na faculdade de Lyon. Vivia a França o período da restauração dos Bourbons, e então é agora em sua própria pátria, realista e católica, que ele se sentiria desambientado. No entanto não tarda em descobrir um derivativo para a sua decepção e o seu aborrecimento! Essa cidade secreta de Lyon ofereceu em todos os tempos asilo às idéias liberais e as doutrinas heterodoxas. Martinismo e Franco-Maçonaria, Carbonarismo e São-Simonismo vicejam entre suas paredes. E Rivail, jovem médico, inicia-se no magnetismo animal, descoberto quarenta anos mais cedo por Mesmer. O sonambulismo apaixona-o igualmente. Decididamente Hippolyte está “apanhado” pelas ciências ocultas: Assim continuará toda a sua vida, e Allan Kardec encontra-se já em potência no jovem estudante de medicina.”

    2 – Perguntamos ao Dr. José Castellani, reconhecida autoridade em assuntos de Maçonaria, obtendo como resposta à nossa consulta: “Alguns biógrafos de Kardec dizem que ele foi membro da Grande Loja da França. A Grande Loja da França, há mais de 20 anos, diante de consulta minha, apenas respondeu que consta que foi iniciado ali, mas que não tem documentos comprobatórios. Portanto, históricamente, a dúvida continua. Entretanto, suas obras contêm, principalmente na parte inicial, introdutória, muitos termos do jargão maçônico e da doutrina maçônica.”

    Concluímos então, diante das evidencias, que o jovem Hippolyte Rivail realmente fez sua iniciação na Franco-Maçonaria, entretanto, ao assumir o pseudônimo de Allan Kardec e assumir a tarefa de codificação da doutrina espírita, fez uma opção pelos diversos elementos básicos da nova revelação apresentados pelos espíritos superiores.

    Quando vemos espíritas que fazem parte da maçonaria, lembramos do exemplo clássico de sabedoria através do equilíbrio perfeito nas idéias e ações de Léon Denis, quando nos deixa este legado dizendo: “O Espiritismo não dogmatiza. Não é nem uma seita, nem uma ortodoxia, mas uma filosofia viva, aberta a todos os espíritos livres, filosofia que evolve, que progride. Não impõe nada; propõe. O que propõe apoia em fatos de experiência e em provas morais. Não exclui qualquer outra crença, antes a todas abraça numa fórmula mais vasta, numa expressão mais elevada e extensa da verdade.”

    Paulo Roberto Martins

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