domingo, 10 de outubro de 2010

OS IDEAIS DA MAÇONARIA

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OS IDEAISDA
MAÇONARIA


(Palestra proferida em 1928, na cidade de São Paulo, em um antigo templo maçônico da Rua Tabatinguera.)

Toda a religião existente, ou que haja existido, tem tido como um de seus objetivos desenvolver o sentimento de fraternidade entre os homens. Elas, porém, só tem alcançado um êxito parcial neste aspecto de seu trabalho. Basta contemplar o espetáculo dentro do Cristianismo, em que o povo cristão se tem combatido uns aos outros, por séculos, para verificar que existe um fundo de verdade no sarcástico comentário de um antigo pagão: "vede como esses cristãos se amam uns aos outros".
Lado a lado com a religião externa de um povo, sempre existiu uma ou mais sociedades secretas que tem como objetivo desenvolver o sentimento de fraternidade entre os seus membros. Essas sociedades secretas são exclusivistas, isto é, admitem apenas aqueles selecionados para tal fim; possuem sinais secretos e palavras de reconhecimento entre si. Reúnem-se a portas fechadas e o que fazem é desconhecido do público em geral. Não estou revelando segredo algum de sociedade secreta ao que dizer que uma parte de seu trabalho visa unir seus membros por liames mais íntimos de fraternidade.
Entre os muitos tipos de sociedades secretas a mais conhecida é a Franco-Maçonaria. Sob uma ou outra forma, a Maçonaria sempre existiu. É mais antiga que qualquer das religiões existente, pois que os sinais e símbolos maçônicos hoje usados se encontram esculpidos nos monumentos do Egito antigo. O público pode ver nas casas que vendem objetos maçônicos os "aventais" e "colares" que os maçons usam em suas cerimônias; raras vezes eles aparecem com suas alfaias em público. Os faraós do Egito apresentam-se nos monumentos, usando o colar e o avental, posto que o avental de então não seja quadrado como o de hoje, porém triangular. Certos sinais maçônicos aparecem também no famoso "Livro dos Mortos".
Por que é que a Maçonaria tem persistido através das idades, enquanto que as religiões, sucedendo-se, vêm e vão? Há duas razões principais para isso. A uma delas já aludi, e é a fraternidade. Os que entram para sociedades secretas, que possuem os ideais da Franco-Maçonaria, acham-se ligados uns aos outros por fortes laços de fraternidade. Essa fraternidade se dirige em primeiro lugar aos membros da sociedade secreta, porém não deve parar por aí. O verdadeiro maçom deve praticar para com todo o mundo as três grandes virtudes da Maçonaria sobre as quais constantemente se insiste nas reuniões maçônicas e que são: "Amor Fraternal, Socorro e Verdade". O maçom deve ser caridoso, homem de palavra, e cheio de simpatia para com todos que dele se aproximarem.
Por que necessita ele se filiar a uma sociedade secreta a fim de praticar essas virtudes? Não são elas ensinadas em sua religião? São, porém, de certo modo, posto que sobre elas se ouça falar na Igreja, falta-lhes a intensa realidade e vida que nelas encontra em sua Loja Maçônica. Há alguma coisa em sua Loja que torna mais fácil compreender essas virtudes especiais, quando lá lhe são expostas. Acontece em sua Loja o que vulgarmente não se pode explicar, que traz o ideal da fraternidade mais para perto dos acontecimentos da sua conduta diária. Um homem pode ser bom, isto é, pode ser um centro de amor, caridade e inspiração, pertencendo a qualquer religião ou a nenhuma. Um homem é bom não pelo que as Escrituras ou os sacerdotes lhe ensinam, mas em virtude do que se encentra em seu próprio coração e mente. Na verdade, a religião auxilia o homem a despertar a bondade e a virtude latentes que nele existem, mas este pode também chegar à origem dessas virtudes sem religião alguma, se simplesmente atender às determinações internas de sua alma.
A Maçonaria toma o homem no ponto em que ele se encontra e tenta fazer vir à existência, em sua própria natureza, o sentimento de fraternidade. Digo que a Maçonaria toma o homem "no ponto em que ele se encontra", entendendo por esta expressão que a tradição imemorial da Maçonaria prescreve que todos os homens de todas as crenças podem tornar-se maçons, embora permanecendo dentro do âmbito de sua própria religião. Permiti que explique este fato por meio de um incidente que teve lugar há um século entre os maçons da Inglaterra.
Não é mais segredo que os maçons que se tem como operários e costroem um edifício, falem do "Grande Arquiteto do Universo". Alguns maçons ingleses, na época a que me refiro, desejaram precisar melhor quem é o "Grande Arquiteto do Universo", e assim quiseram que fosse feita uma declaração de que o Grande Arquiteto do Universo é "Deus", isto é, a Divindade adorada no Cristianismo que elegeu os judeus como o povo escolhido, que enviou seu Filho para salvar o mundo e cujos ensinamentos se encontram no Velho e Novo Testamentos. Tal definição do Grande Arquiteto, como Deus cristão, teria imediatamente excluído hindus, os zoroastrianos, os maometanos e outros que acreditam em Deus, porém não aceitam as tradições dos judeus, ou que Jesus Cristo seja o único Filho de Deus. A Grande Loja da Inglaterra recusou, portanto, definir a frase "Grande Arquiteto do Universo", e deixou a cada maçom tornar mais precisa a significação dessa frase, de acordo com sua tradição religiosa. Assim acontece agora que, quando um cristão presta seu juramento em certas cerimônias maçônicas, fá-lo sobre a Bíblia, e o hindu o presta sobre os Vedas, o zoroastrino sobre o Zend Avesta e o muçulmano sobre o Alcorão.
Um passo avante de modo definido na prática dos ideais maçônicos, da fraternidade, foi dado quando certos maçons franceses, há trinta anos, decidiram admitir as mulheres na Maçonaria. Esta Instituição Maçônica, que tem o seu quartel general em Paris, é conhecida sob o nome de "Supremo Conselho da Co-Maçonaria Universal", e tão rapidamente se expandiu que dificilmente se encontrará um país na Terra onde ainda não existem Lojas Co-Maçônicas. De fato, a admissão de senhoras nas Lojas Maçônicas não constitui uma inovação; é antes uma reversão ao antigo costume. Vê-se pelas pinturas nas tumbas e pelos manuscritos do antigo Egito que a esposa se acha presente quando o marido, como sacerdote, executa cerimônias; na Índia também certas cerimônias existem em que a presença da esposa é necessária. Aqueles dentre nós, homens, que são maçons, verificaram que a beleza do ritual lucrou imensamente com a cooperação das mulheres; sabemos que uma mulher pode "dirigir uma Loja" tão eficientemente quanto um homem. Em geral, as mulheres que entram para a Maçonaria, tomam-na mais a sério do que os homens; descobrem não somente ideais de fraternidade e ética, porém ainda mais um misticismo que as inspira profundamente.
É este elemento místico na Maçonaria que é hoje praticamente ignorado por todos os maçons masculinos. O especial valor do movimento Co-Maçônico para a Maçonaria em geral, resulta do fato de existir nela tão grande número de teosofistas trabalhando, que estudam as suas tradições e encontram não somente "Amor Fraternal, Socorro e Verdade", porém profundas verdades relativamente à natureza de Deus, do homem e do Universo. É pelo fato de todas as grandes verdades da religião existirem na Maçonaria, que esta tem perdurado, apesar das modificações produzidas pelas guerras e calamidades.
Há no mundo dois tipos de religião, que se acham bem ilustrados pelas duas formas de cristianismo: O Catolicismo e o Protestantismo. O primeiro caracteriza-se por múltiplos rituais com cuidadosas cerimônias; ao passo que o segundo se acha isento de muito cerimonial. Nenhuma das formas é melhor do que a outra, porém ambas produzem diferentes efeitos no indivíduo.
O propósito fundamental da religião é, como já disse, capacitar o homem e a mulher religiosos para a descoberta da sua própria religião por experiência direta, pessoal. Não tem grande importância o fato de ser essa descoberta efetuada ou não com o auxílio de cerimonial e sacerdotes. É verdade incontestável que onde quer que a religião tenha muito ritual, uma classe especial de homens experimentados em ritual, os sacerdotes, se torna necessária para o culto, como também é verdade que freqüentemente os sacerdotes se organizam a si mesmos numa classe e impõem a sua autoridade, dizendo que sem o auxílio dos sacerdotes não é possível aproximar-se de Deus. É então que se faz necessário um protesto contra a autoridade sacerdotal, como aconteceu nos primórdios do protestantismo. Um protesto, porém, contra os sacerdotes, como classe, não implica que suas cerimônias sejam ineficazes. Uma tal suposição seria o mesmo que afirmarmos, pelo fato de o motorista de um veículo estar embriagado, que os veículos não tem utilidade. Deve haver alguma utilidade nas cerimônias, pois que, desde os primórdios da religião, sempre o ritual e o cerimonial sob alguma forma têm sido associados com a religião.
Ora, a Maçonaria é, por excelência, um culto de cerimonial, posto que seu propósito é edificar os homens numa fraternidade única de cooperadores com o Grande Arquiteto do Universo. A Franco-Maçonaria Ocidental possui trinta e três graus, que se acham divididos em quatro seções conhecidas respectivamente por Maçonaria Azul, Maçonaria Vermelha, Maçonaria Preta e Maçonaria Branca. Cada grau tem o seu ritual apropriado ou modo de compreensão de como o Grande Arquiteto opera em Seu Universo; ensina com que particulares virtudes e capacidades pode um franco-maçom cooperar, entre os homens, com o trabalho oculto continuamente efetuado pelo Grande Arquiteto.
A Maçonaria ilustra, portanto, por meio do ritual, qual a conduta para um indivíduo que se determina cooperar com o Criador. As cerimônias da Maçonaria são simbólicas, isto é, revelam ao observador cuidadoso verdades secretas. Da natureza das verdades secretas eu vos posso sugerir, mostrando-vos a significação interna de um cerimonial, que todos conheceis bem em vossa religião, porém de cuja verdadeira significação poucos provavelmente se apercebem. Refiro-me a cerimônia da missa, que todo o sacerdote católico deve executar todos os dias.
Haveis inquirido já a razão pela qual o sacerdote na missa usa uma casula, tendo nas costas uma cruz? Por que há três degraus dando acesso ao altar? Por que se acha o missal a princípio do lado direito do sacerdote e depois é removido para a esquerda? Toda a ação do sacerdote é simbólica, isto é, recorda algo do que aconteceu outrora. Naturalmente, a cerimônia da missa destina-se a comemorar a última ceia, tal como se há descrito em S. Mateus 26:26-28:
"...E quando se achavam comendo, Jesus tomou o pão, abençoou, partiu e deu aos discípulos dizendo: tomai e comei; este é o meu corpo. "...E tomou o cálice, deu graças e lho deu dizendo: Bebei dele todos, pois este é o meu sangue, o sangue da aliança, que é derramado por muitos para remissão dos pecados."
Estas palavras do Cristo não indicam que devem existir sacerdotes, diáconos, sub-diáconos; que o sacerdote deve vestir uma Alba, passar uma corda à cintura, por uma estola e uma casula; que a cerimônia da missa deve ter um intróito, um ofertório, um cânone e post comunio. Todas essas complicações se originaram dos simples atos mencionados. Por que é tão complicada a cerimônia da missa?
Porque em todos os rituais, de todas as religiões, existem certas concepções fundamentais de misticismo. E essas mesmas concepções se encontram por debaixo do ritual maçônico também, conquanto o maçom mediano nada saiba em relação a elas. Por que existe uma tão amarga hostilidade entre o catolicismo romano e Maçonaria? Por uma razão muito simples: é que ambos ensinam os mesmos mistérios.
Permiti registrar que entrei para a Maçonaria há vinte e quatro anos e me filiei à Co-Maçonaria que, então, era um movimento recente, afim de poder ajudar a causa das mulheres. Desde então tenho avançado de grau em grau. Durante vários anos fui Mestre de Cerimônias de minha Loja na Índia; depois, durante dois anos sucessivos, fui seu Venerável. Possuo o grau de Mark-Master da Maçonaria do Real Arco e pertenço a dois de seus Capítulos, um em Londres, outro em Madras (Índia); neste último ocupo a posição de Primeiro Principal. Pertenço também a vários Capítulos do Décimo Oitavo Grau da Rosa-Cruz e fui o chefe do Capítulo Rosa-Cruz ao qual pertenço, na Índia. Tenho também o Trigésimo Grau na Maçonaria, a de Cavaleiro Kadosh. Tenho consagrado templos e capítulos em muitas partes do mundo, e freqüentemente tenho sido "Oficial Instalador", quando novos oficiais numa Loja ou Capítulo são empossados. Além disso, pertenço a uma rara divisão da Maçonaria, conhecida como Rito de Mênfis, e nela ocupo o penúltimo grau; o santuário dos Ritos era em Palermo. Digo "era", porque o santuário deste rito encontra-se agora fechado, afim de não entrar em conflito com os decretos do governo fascista. Sempre me hei de lembrar que, quando fui admitido ao Santuário do Rito de Mênfis, durante uma parte da cerimônia foi usada a espada de Guiusepe Garibaldi, que fora um membro do Santuário. Menciono todos estes fatos acerca de minha pessoa, afim de vos demonstrar que sou não somente um maçom, porém um dos estudantes dos mistérios e tradições maçônicas. Foram os mistérios da Maçonaria os que sempre me fascinaram; a fraternidade ensinada na Maçonaria é apenas o ABC de conduta que aprendi como teosofista, muito antes de me tornar franco-maçon.
Pertenço a uma religião, o Budismo, que não possui sacerdotes consagrados, nem cerimônias de culto considerada como necessária à santidade. Iniciei, portanto, a minha vida com uma tendência anticerimonial, porque se sabe, pelos exemplos da história, como os sacerdotes, com suas cerimônias, suprimem a liberdade do pensamento e da ação. Porém cedo, após haver entrado na Maçonaria, comecei a verificar que as cerimônias do Hinduísmo eram muito semelhantes às do catolicismo romano e que a maçonaria tinha muitos pontos de contacto com ambas. Assim, pois, comecei a estudar o ritual da missa, e a ler, ao mesmo tempo, certos rituais antigos do Hinduísmo. E ao percorrer, um por um, ascencionalmente, os graus da Maçonaria, sentia-me sempre bem, pois que rapidamente compreendia o significado interno de cada grau, por haver estudado o cerimonial da missa e o que de análogo havia no Hinduísmo em relação à ela. Permiti que eu vos esboce a idéia que se encontra sob o cerimonial.
Todo ritual parte do axioma de que Deus existe. Não importa que nome Lhe seja dado. Esta Divindade é sempre um construtor, não um Deus imóvel, simples espectador. Ele não criou o Universo outrora somente, mas o está criando a todo instante. A Divina Ação é perpétua; se por um instante o Grande Arquiteto repousasse em Sua ação, o Universo morreria, como fenece uma flor.
Existe, porém, uma segunda verdade sobre a qual todos os cerimoniais estão fundamentalmente edificados. É que a criação do Universo por Deus é um ato de autosacrifício. Ensina-se no Cristianismo que o Cristo é o "Cordeiro Imolado desde o começo do mundo" e que veio afim de ser crucificado; que a Sua crucificação, de certo modo misteriosa, faz parte do plano de Deus para a salvação da Humanidade. Se Cristo não viesse voluntariamente a este mundo, com conhecimento prévio de que seria torturado e crucificado, não existiria hoje caminho aberto aos homens para a redenção. Esta mesma verdade é ensinada no Hinduísmo. Foi pelo fato de Prajapati, o Criador do Universo em Pessoa, se haver deitado sobre um altar, para aí ser oferecido como vítima, que o Universo veio à existência. Todo o misticismo ensina esta mesma verdade - a de que Deus tem que morrer, voluntariamente, afim de que o Seu Universo e os Seus filhos possam vir à existência. A morte de Osíris no Egito, a de Átis na Assíria, a de Cristo na Palestina, a de Hiram Abiff, quando o Templo do Rei Salomão estava sendo construído, todas elas revelam a mesma verdade de que o Absoluto que chamamos Deus ou o Grande Arquiteto do Universo, executou no início do mundo um ato voluntário de imolação de si mesmo, afim de que as almas individuais pudessem vir à existência. É por isso que em vosso ritual cristão da missa o santo pão e o vinho consagrados se tornam o Corpo e o Sangue de Cristo, e são denominados "Hóstia", palavra que significa "vítima".
E este autosacrifício de Deus, sem o qual a criação do Universo não é possível, é uma ação contínua, isto é, está se sacrificando a todo instante pelo bem de Seu Universo. Existe um outro axioma em misticismo: o de que Deus e o homem são um e não dois. Por muito diferente que pareça o homem de Deus, quer em bondade, quer em grandeza, no entanto, de certa maneira mística, tanto a bondade como a grandeza de Deus se acham latentes nele. Desde que o homem, pois, em certo modo é Deus, desde que é, por assim dizer, "Deus Encadeado", a sua felicidade vem da sua imitação de Deus. Se Deus cria, o homem deve também criar; se Deus tem necessidade de morrer, o homem necessita de morrer também; se a morte de Deus é um sacrifício voluntário, o homem precisa, também, sacrificar-se voluntariamente; e, finalmente, se Deus, morto, ressurge dentre os mortos, também o homem, ao morrer, passará além da morte, para a imortalidade. A grande máxima em todo o ritualismo é "em cima, como em baixo", isto é, essa seqüência de acontecimentos divinos que tem lugar no reino invisível de Deus, acha-se de certo modo misterioso refletida em nosso mundo humano, nos acontecimentos desta terra, desde que tenhamos olhos para ver.
Compreendereis agora porque durante a missa o sacerdote usa casula, um vestuário com uma cruz nas costas. É porque, nessa ocasião, o sacerdote representa o Cristo. O sacerdote cristão tem um papel dual na cerimônia; ele é ao mesmo tempo o cristo que se oferece como vítima para a salvação do mundo e um representante do povo, que intercede perante Deus, afim de que Cristo se manifeste sob o aspecto de pão e vinho. O altar, de acordo com os rituais católicos, é tanto o calvário como a mesa da última ceia. De qualquer maneira o sacerdote comemora sempre o sacrifício do Cristo no calvário; esta comemoração, porém, não constitui somente um mero registro de um acontecimento que teve lugar há dois mil anos; a comemoração consiste em se tornar efetivo esse acontecimento, reproduzindo-o dia após dia por meio de um ritual. A crucificação do Cristo tem lugar a todo instante, tal como seu corpo outrora foi despedaçado na Palestina, assim também todos os dias, sobre milhares de altares e sob o símile do pão consagrado, é Ele partido. Pois é pelo fato de o autosacrifício de deus ser um autosacrifício perpétuo, que o homem pode elevar-se de sua humanidade limitada até a realização de si próprio como Divindade.
É esta mesma verdade concernente ao autosacrifício que é ensinada na Maçonaria. Cada maçom deve ser um construtor; é um operário sob a direção do Grande Arquiteto que planeja um edifício maravilhoso, que é a "Grande Loja Eterna", o Universo perfeito. Para construção desse edifício perfeito, cada maçom tem que trazer sua "pedra perfeita", perfeita por haver sido experimentada e constatada como "verdadeira" pela perpendicular, pelo nível e pelo esquadro. Ele não pode conhecer o verdadeiro segredo de sua arte enquanto não passar através de certas experiências de fé e martírio e saber que, como construtor, virá a perder a sua vida, e como indivíduo fiel ao seu juramento, ressurgirá novamente dentre os mortos. Necessita buscar o que estava perdido e descobri-lo, afim de poder cooperar com alegria na obra que o Grande Arquiteto do Universo está executando.
Disse já que um axioma inerente a todo verdadeiro cerimonial é que "o que está em baixo é como o que está em cima". Eis porque toda Loja Maçônica é, simbolicamente, uma miniatura do Universo, com um teto que é o céu. O Venerável de cada Loja é uma representação do Rei Salomão, que outrora construiu um Templo perfeito; porém, ao construí-lo, o próprio Rei Salomão era somente um representante do Grande Arquiteto. A grande verdade encontrada em todo o misticismo de que Deus mora em nós, ensinada no Cristianismo pelas palavras de S. Paulo, "Cristo em vós, a esperança de Glória", encontra-se no Hinduismo nas palavras "tat tvem ai" (tu é Aquele), esta mesma verdade aparece na Maçonaria na reverência prestada ao Venerável em sua capacidade Simbólica, e na oportunidade proporcionada a todo aprendiz ingressante de tornar-se um Mestre em sua Loja por meio de fiel serviço.
Na Maçonaria Azul, na Vermelha, na Preta e na Branca cada grau superior ensina novas verdades, revelando o significado oculto da máxima: "O que está em baixo é como o que está em cima". Grau a grau o maçom aprende a desenvolver novos aspectos de seu caráter. Desenvolve essa faculdade latente, não somente para si mesmo, mas também para a humanidade. Pois assim como o sacerdote na missa é o intercessor perante Deus em nome do povo, assim também o verdadeiro maçom executa seu trabalho na Loja, não para si mesmo, mas para o mundo. É pelo fato de em cada sessão de Loja Maçônica que executa bem o seu trabalho, alguma coisa de útil e inspirador irradia para o mundo, que a Maçonaria não pode ser suprimida, posto que certos governos o hajam tentado. É perfeitamente verdade que os maçons em certos países intervieram nos negócios nacionais, umas vezes sabiamente, outras não. A independência da Itália foi grandemente auxiliada pelos maçons, que protegeram os patriotas, perseguidos pelos tiranos. Deu-se o mesmo em outros países, onde os maçons se puderam ao lado das liberdades do povo. Penso, porém, que pouca dúvida resta de que, em alguns países, onde o verdadeiro propósito da Maçonaria não foi compreendido, a sua organização em massa foi utilizada de um modo destituído de sabedoria, no sentido de dominar a política nacional. Deixando de lado essas exceções à benéfica tradição da Maçonaria, permanece o fato fundamental de que, onde maçons se reúnem em Lojas "sobre o esquadro", as forças da Luz Oculta de deus nos corações dos homens são libertas para benefício do mundo. Porque é que libertam essas forças, reunindo-se a portas fechadas e guardando seus segredos zelosamente?
É um axioma em Maçonaria que os maçons se reúnem para trabalhar. Que espécie de trabalho particularmente útil para o mundo podem eles executar com seus misteriosos segredos? Este trabalho é de natureza tríplice. O primeiro trabalho que fazem é no sentido de intensificar o espírito de moralidade no mundo. Toda a reunião maçônica, seja de uma Loja, seja de um Capítulo, tem como aspecto regular de seu trabalho a afirmação, tanto ao candidato que é iniciado, como aos irmãos mais velhos, de certas verdades éticas referentes à reta conduta. O maçom ideal é um homem de conduta perfeita, observando, tanto em espírito como na letra, os preceitos da mais alta moralidade. Domina seus corpos, purifica suas emoções e torna-as elevadas pelo adestramento na contemplação de horizontes mais amplos. Dado o fato de os maçons não serem reclusos, que se retiram do mundo, porém homens e mulheres que nesse mundo vivem e trabalham, a moral maçônica não é abstrata, mas intensamente prática.
Como em uma Loja estas verdades referentes ao amor fraternal, socorro e verdade se acham expostas em detalhes, e como cada maçom presente a elas lhes presta seu assentimento, essas verdades são facilitadas em sua realização aqueles que não são maçons. Um pequeno corpo de pessoas que ardentemente desejam compreender o que seja a mais elevada moral, intensifica as aspirações morais do mundo inteiro, reunindo-se a portas fechadas. O pensamento é um poder formidável, e quando esse poder é gerado, não por indivíduos separados, porém reunidos, como numa Loja, seu poder é acrescentado em progressão geométrica, de acordo com o número daqueles que cooperam e com a intensidade de sua aspiração. Toda a reunião maçônica, seja de Loja ou Capítulo, torna a compreensão das verdades morais um pouco mais fácil por parte do mundo em geral. Todo o homem que não seja maçom e que deseja saber onde se acha "o Caminho, a Verdade e a Vida", aproxima-se mais de sua meta, pelo fato de um pequeno grupo de seus semelhantes se reunir em segredo para executar seus ritos.
A segunda parte do trabalho que a Maçonaria executa é o de auxiliar a dissipar as nuvens que cobrem as mentes dos homens em relação ao seu futuro, após seus corpos haverem voltado ao pó de que são constituídos. Sobre esta parte do trabalho da Maçonaria moderna, nada posso dizer numa reunião pública; porém, como vos disse, a Maçonaria continua as antigas tradições dos mistérios do Egito e da Grécia, de Israel e da Índia. Em todos esses antigos mistérios, como, por exemplo, nos mistérios de Eleusis, uma parte do trabalho feito em segredo era o de proporcionar ao iniciado a certeza de que, para além do túmulo, semblantes amigos o saudariam e que ele entraria, não em terra estranha, porém na "Grande Loja Eterna", onde todas as coisas lhe serão familiares, por ter trabalhado numa Grande Loja aqui em baixo. Se cada maçom conhecer o que a Maçonaria lhe ensina, não poderá ignorar a imortalidade da alma. Se qualquer ramo da Maçonaria nada fizer para perpetuar a tradição maçônica, estará desperdiçando uma boa parte de seu tempo e de sua energia.
Chego agora à terceira espécie de auxílio que os maçons proporcionam ao mundo. O que direi parecerá coisa nova a muitos maçons, pois existe muito de mera fórmula e pouco de realidade por detrás dela.
No entanto, seja pelo fato de a simples forma ser atrativa, o que é fora de dúvida é de que o maçom devotado à sua Loja acha verdades morais de mais fácil compreensão, que quando essas mesmas verdades lhe são pregadas de um púlpito. Existe, porém, uma admirável realidade por detrás da forma, e é unicamente essa realidade invisível que torna a Maçonaria um tão poderoso fator para o bem do mundo.
Já fiz menção da antiga máxima "o que está em baixo é como o que está em cima". "Em cima" está a consciência de Deus, que sustenta todo o mundo visível e invisível em sua Natureza. Na mente de Deus, o Universo não é qualquer coisa que, uma vez criada, fique para sempre estática. Deus criou o Universo afim de que ele chegue a perfeição, estágio após estágio. Na mente Divina, onde a perfeição última de todas as coisas - homem, quadrúpede, pássaro, planta e rocha se acham decretada, existe uma série de acontecimentos, direcionando todos para a perfeição. Usando o símile de um ritual, na Mente de Deus a todo instante está tendo lugar um acontecimento maravilhoso e belo. É como se um drama perfeito, um ritual inteiramente belo, estivesse sendo representado em Sua Mente, desenvolvendo, por esse modo, o Seu drama de fazer sair a perfeição da imperfeição. Este ritual é a obra de Deus, como Grande Arquiteto do Universo. Ele é o Venerável de Sua "Grande Loja Eterna".
Quando, portanto, aqui na terra, é ordenado um ritual, simbolizando esta eterna seqüência de acontecimentos no drama Divino da Grande "Loja Eterna", então alguns dos poderes dos reinos espirituais são atraídos a terra para servirem de auxílio aos homens.
É esta unidade misteriosa do que está "em cima" e do que está "em baixo" que constitui o significado real da cerimônia da missa, como sabe todo católico místico. A autoimolação de Cristo, que teve lugar uma vez, deve ser comemorada diariamente por todo sacerdote, afim de que o poder de Cristo possa ser atraído para a terra em auxílio dos homens. A história da vida de Cristo, desde o nascimento até a crucificação e todas as estações da cruz, estão sendo representadas a todo instante num reino místico, embora presentemente a dor da tragédia tenha passado para Ele. Como essa história da vida é sempre representada em símbolo (como se faz na missa), o reino do espírito se une ao reino da matéria, e neste símbolo do pão e do vinho desce Deus à terra outra vez para habitar entre os homens.
Assim também se dá com a Maçonaria. O Grande Arquiteto trabalha a todo instante construindo o Templo Perfeito. Quando os maçons trabalham simbolicamente em Loja, para construir um Templo com "Colunas", com três "Pilares", simbolizando a Tríplice Natureza do Grande Arquiteto - Sabedoria, Força e Beleza - os dois reinos do espírito e matéria se unem, e a Grande Loja Eterna envia suas forças espiritualizantes para a Loja aqui em baixo. É por isso que toda Loja Maçônica, ao encerrar sua reunião, distribui suas forças para o mundo. Tal como se dá com um reservatório que haja lentamente captado água de muitas pequenas correntes e por fim transborda, irrigando os campos, assim se dá com uma Loja Maçônica. Os maçons trabalham como instrumentos da "Grande Loja Eterna", pela qual são distribuídas forças para auxiliar os homens.
Temo haver conduzido alguns dentre vós demasiado longe no reino do misticismo; não penseis haver eu elaborado belas teorias tiradas da minha cabeça. Lembrai-vos de que a Maçonaria é muito antiga; A Maçonaria moderna é apenas a última expressão dos mistérios que foram poderosos no Egito, na Grécia e em Israel, e o são ainda na Índia e na China. Muitos maçons modernos cuidam simplesmente da boa camaradagem, que as reuniões e banquetes da Loja lhe proporcionam, Porém entre os maçons há crianças, como também existem os mais velhos e mais sábios. Estes últimos hão de ter já descoberto algumas das misteriosas verdades que se referem ao poder secreto da Maçonaria, os quais vos tenho procurado descrever, sem violar meus compromissos maçônicos.
Há um fato interessante sobre cerimonial maçônico, e é que ele não cansa o indivíduo, quando propriamente executado. Certamente existe uma grande soma de atividade no ritual, nos Oficiais que tem de estar alerta a todo instante. Como atores no placo, tem eles que decifrar suas partes, que são às vezes difíceis para aqueles dentre nós que já ultrapassaram a meia idade e cuja memória está enfraquecida. Se o ritual for executado brilhantemente, como acontece quando todos os que estão presentes conhecem suas partes perfeitamente, uma desusada espécie de vitalidade se verifica na reunião maçônica. Como até o presente tenho servido em diversos cargos, e como trabalhadores mais jovens, tanto mulheres quanto homens, estão se apresentando para continuar o trabalho, posso agora me sentar "no Oriente" como veterano, e vigiar e contemplar.
E esta vigilância e contemplação encerram uma notável fascinação. Muito tive de meditar em assunto espiritual, mas isto me é agora inteiramente familiar. No entanto, ao ouvir as palavras que tantas vezes tenho repetido, observo certas coisas que dúzias de vezes tenho visto, e me aparecem subitamente novas verdades que não havia descoberto antes. Simbolismo e alegoria são duas maneiras pelas quais são ensinadas as verdades superiores aos maçons; eles me são agora familiares, e já instruí a outros o seu significado. Entretanto, agora mesmo, ao sentar-me no "Oriente", o antigo ritual possui uma frescura e beleza que me haviam escapado. O ritual não envelhece, mesmo que se o conheça muito bem. Por outro lado, cada vez que observo seu desenvolvimento, descubro alguma nova verdade quanto à vida e à conduta. Por que é que a Maçonaria não envelhece?
Porque a Maçonaria é uma exposição da vida - a vida que nós temos de viver. Não se trata de um mero cerimonial combinado por alguém que tivesse imaginação dramática. A Maçonaria é uma exposição da vida, justamente como se dá na celebração da missa, que o é igualmente. É porque cada grau da Maçonaria, desde o primeiro até o trigésimo terceiro, é uma exposição da vida, que "uma vez que se seja maçom, sempre o há de ser".
Para terminar, qual é a mensagem da Maçonaria? É a de que cada um de nós deve ser um construtor, trabalhando na ordem hierárquica, de acordo com sua capacidade. Cada um deve contribuir com seu trabalho, crescer por meio dele, afim de se tornar capaz de um esforço maior. Pois a vida não se parece com uma corrente tranqüila que passe vagarosamente entre duas margens; mais se assemelha a uma torrente, cujas águas são dirigidas através de uma estação de força elétrica, para gerar uma corrente que possa ser enviada a fábricas e lares distantes. Somente quando a vida é criadora, gerada por meio da mente e do coração, da intuição e do espírito, é que a vida é verdadeiramente digna desse nome. Transformar a vida afim de criar mais vida - tal é a mensagem da Maçonaria para o franco-maçon. E é por isso que termino com sua prece: "Que Deus preserve a Arte!".
* C.Jinarajadasa, ex-presidente internacional da Sociedade Teosófica.
andreia caetano 
piumhi/mg

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

origem do termo ILUMINAT

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 Dado que "Illuminati" significa literalmente “os iluminados” em latim, é natural que diversos grupos históricos, não relacionados entre si, se tenham autodenominados de Illuminati. Frequentemente, faziam isso alegando possuir textos gnósticos ou outras informações arcanas (secretas) não disponíveis ao grande público.

A designação "Illuminati" esteve em uso também desde o século XIV pelos Irmãos do Livre Espírito, e no século XV, o título foi assumido por outros entusiastas que argumentavam que a luz da iluminação provinha, 
não de uma fonte autorizada mas secreta, mas de dentro, como resultado de um estado alterado de consciência, ou “iluminismo”, ou seja, esclarecimento espiritual e psíquico.

Dessa forma, durante os períodos moderno e contemporâneo, foi designado por "Illuminati" um número de grupos (alguns dos quais têm reivindicado o título), mais ou menos 
marginal e secreto, e muitas vezes em conflito com autoridades religiosas ou políticas; são eles: os Irmãos do Livre Espíritoos Rosacruzesos Alumbradosos Illuminésos Martinistas,o Palladium... e, principalmente os Illuminati da Baviera. Embora as doutrinas desses grupos têm sido variadas e por vezes contraditórias, a confusão entre eles tem sido muitas vezes mantida por seus adversários, e esta confusão levou às teorias de conspiração de uma sociedade secreta atuando através da história.



ANDREIA  CAETANO
PIUMHI/MG

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

A Ordem Rosa-cruz e a Maçonaria

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A Ordem Rosa-cruz e a Maçonaria

Para saber-se as ligações entre a Maçonaria e a Ordem Rosa-Cruz ou antiga e Mística Ordem Rosae Crucis (AMORC) como preferem os seus adeptos, vamos fazer algumas considerações sobre essa Ordem.
    Rosa-cruz é denominação da fraternidade filosófica, que, de acordo com a tradição mais em voga, teria sido fundada por Christian Rosenkreuz e representa uma síntese do ocultismo imperante na Idade Média.
    Harvey Spencer Lewis pretende, todavia, que rosenkreuz tenha sido, simplesmente, um renovador, já que a instituição remontaria ao antigo Egito, à época do faraó Amenophis IV. O rosacucianos, tem aceitado essa hipótese falseando, lamentavelmente a verdade histórica, pois, na realidade, essa fraternidade nasceu no período medieval, embora apresentando, em sua ritualística, muito do misticismo das antigas civilizações, como acontece com a maçonaria (muitos maçons também querem fazer crer que a Ordem Maçônica é antiguíssima e já existia no Antigo Egito e na Pérsia, o que é, verdadeiramente, uma heresia histórica).
    O rosacrucianismo, assim como a Maçonaria, é um sincretismo de diversas correntes filosóficas-religiosas: hermetismo egípcio, cabalismo judaico, gnosticismo cristão, alquimia etc. A primeira menção histórica da ordem data de 1614, quando surgiu o famoso documento intitulado “Fama Fraternitatis”, onde são contadas as viagens do alemão Rosenkreuz pela Arábia, Egito e Marrocos, locais onde teria adquirido sua sabedoria secreta, que só seria revelada aos iniciados.

A Ordem nas Américas

    Harvey Spencer Lewis foi à  pessoa que reativou a AMORC na América do Norte, no início do século XX, já que ela havia existido anteriormente, onde algumas pessoas que se destacaram como Benjamim Frnklin teriam pertencido à mesma. Na ocasião a Ordem era ativa em alguns países da Europa, como França e Alemanha, mas com rituais diferenciados. Harvey Spencer Lewis ao trazer a AMORC para a América, não o fez sem antes estudar por mais de 10 anos suas raízes, o que permitiu mais tarde unificar todas as ordens no mundo, cuja essência fosse a mesma. A introdução do estudo à distância permitiu a rápida proliferação da AMORC e em 1915 ele tornou-se o 1º IMPERADOR, (se supremo da Organização), para a América do Norte. A unificação com a as demais ordens ocorreu no início dos anos 30, tornando-se Lewis o primeiro imperador mundial. No Brasil, os estudos foram introduzidos na década de 50, e o cargo supremo é ocupado por um grande mestre.
    O nome AMORC – Antiga e mística Ordem Rosa Cruz foi dado para diferenciar-se de outras ordens filosóficas de mesmo nome, mas com diferente essência.

O Casamento Químico de Christian Rosenkreuz


    O teólogo Johann Valentin Andréa, neto do também teólogo luterano Jacob Andréa, foi o homem que divulgou o rosacurcianismo. Andréa, que nasceu em Herremberg, no Werttemberg, em 1581, depois de viajar pelo mundo, retornou à Alemanha, onde se tornou pregador da corte e, posteriormente, abade. A sua principal importância, todavia, originou-se do papel que ele teve naquela sociedade alemã, que no princípio do século XVII, lutava por uma renovação da vida, com uma nova insuflação espiritual.
 
    A popularidade alcançada por Andréa, entretanto, com a Societas Solis (Sociedade do Sol), a que ele procurou dar vida e a Ordem das Palmeiras, em que ele foi admitido aos 60 anos de idade, não se comparou à que ele conseguiu ao publicar o seu romance satírico “O Casamento Químico de Christian Rosenkreuz”, que criticava, jocosamente, os alquimistas e as ligas secretas,numa época que, de maneira geral, era de desorientação, onde o ar andava cheio de rumores e a velha ordem religiosa desagregava-se. A partir de 1597, já aconteciam reuniões de  uma liga secreta de alquimistas, que haviam ficado sem irradiações e sem significado espiritual. Foi então que a palavra Rosa-Cruz adquiriu, rapidamente, uma grande força atrativa, a ponto de, num escrito anônimo de 1614, chamado “Transfiguração Geral do Mundo”, ser incluído o conceito de “Fama Fraternitatis R.C.”,sem necessidades de ser escrito por extenso, pois ele já era bem entendido. Uma outra pequena obra, surgida um ano depois e chamada “Confessio”, publicava a constituição e a exposição dos fins que a Ordem era destinada.

O Herói Viveu 150 Anos, Extinguindo-se Voluntariamente.

    De acordo com o “Confessio”, a ordem Rosa-cruz representaria uma alquimia de alto quilate, na qual em vez das pesquisas sobre a Pedra Filosofal, era buscada uma finalidade superior,ou seja, a abertura dos olhos do espírito, através dos quais pudesse, o homem, ficar apto a ver o mundo e os seus segredos com mais profundidade. As correntes dos alquimistas medievais, então, diante da necessidade espiritual da época,incrementada pela disposição de renovação e organização secreta, tomaram enorme vulto com o aparecimento do romance satírico de Andréa.
    O herói do romance é o Christian Rosenkreuz já descoberto pela “Fama Fraternitatis” e que já tinha, no século XIV, viajado pelo Oriente e, ali, aprendido a  “Sublime Ciência”; teria ele segundo a lenda que lhe cercou o nome, voltado para a Alemanha, onde sua idéia foi seguida por muitas pessoas, até chegar aos 150 anos de idade, quando, cansado na vida, extingui-se voluntariamente.
    Andréa, no romance, aproveitou-se do nome que havia sido encontrado para ser a figura fundadora, mas o seu Rosenkreuz era velho e impotente, motivo pelo qual o seu casamento só poderia ser químico.
    Todavia, ele tem cultura e conhece muitos segredos, além de estar sempre ávido por conhecer outros, por esse motivo é que, em cera ocasião, como hóspede da família real, ele entra num quarto em que dorme Vênus; depois quando, como outros convidados, ao ser proclamado cavaleiro da ordem da Pedra Dourada deve, de acordo com os estatutos da Ordem, repudiar toda a lascívia, torna-se público o seu erro. Assim, enquanto os outros vão embora, como cavaleiros da nova Ordem, ele tem que ali permanecer, na qualidade de porteiro, como castigo por ter descoberto Vênus.

A Mística Idéia da Rosa Provocou Grande Sedução.

    Com essa sátira, dirigida às sociedades secretas e à alquimia, Andréa havia desvendado tanto de positivo sobre a nova Ordem, que restou a impressão de que ela já existia, ainda que só como imagem literária. Pode-se notar, facilmente, que a Pedra Filosofal dos alquimistas (que transformaria os metais inferiores em ouro); além disso, o encontro dos convidados ao casamento, vindos de todas as partes do mundo, e a sua ligação dentro da nova ordem ilustram o desejo de dar corpo aos esforços no sentido de uma renovação espiritual da vida, valendo-se do sugestivo símbolo Rosa-cruz.
    Esse símbolo, além de sugestivo, corresponde à ansiedade daquela época. Alguns procuraram relacioná-lo com as armas de Lutero, coisa que não pode ser facilmente aceita,pois ele poderia ser, nesse caso, relacionado, também, com as armas de Paracelso, convindo esclarecer que Andréa representou o seu Rosenkreuz com quatro rosas no chapéu, rosas essas que, desde a época de seu avô Jacob Andréa, adornavam as armas de sua família. Robert Fludd, considerado como o primeiro rosa-cruz da Inglaterra, diz que o nome da  ordem está ligado a uma alusão ao sangue de Cristo, na cruz do Gol-gota; a mística idéia da rosa, associada à lembrança da cor do sangue e aos espinhos que provocam o seu derramamento, contribuiu, certamente, para dar à palavra, uma grande força de sedução. Além disso, muitos rosacruzes vêem, no emblema, um símbolo alquimista, concretizando uma ambigüidade muito comum aos símbolos.
    Os rosacruzes atuais têm uma interpretação bem mais mística a respeito da cruz e a rosa. A cruz representaria o ser humano, a parte material, enquanto a rosa representaria o ser imaterial, a alma, espírito ou corpo astral.

A Junção dos Sexos Leva ao Segredo da Imortatalidade.

    Como a preocupação máxima dos alquimistas que se ligaram à Ordem Rosa-cruz era o segredo da imortalidade e a regeneração universal, o símbolo rosacruciano está relacionado com essa preocupação. Em botânica oculta, a rosa era uma flor iniciática, para diversas ordens religiosas, sendo, que, atualmente, a arte sacra continua a considerá-la como símbolo da paciência, do martírio, da Virgem (Rosa Mística); no quarto domingo da Quaresma, em todos os anos, o para benza a Rosa de Ouro, que é considerada como um dos muitos sacramentais oferecidos pela Igreja, em sua liturgia. Em última análise, a rosa representa a mulher, enquanto que a cruz simboliza o sexo masculino, pois para os hermetistas, ela é o símbolo da junção da eclíptica com o equador terrestre (eclíptica é a órbita aparente do Sol, ou a trajetória aparente que o Sol descreve, anualmente, no céu); ambos cruzam-se no equinócio da primavera e no equinócio de outono.
    Assim, a Rosa simboliza a Terra, como ser feminino, e a Cruz simboliza a virilidade do Sol, com toda a sua força criadora que fecunda a Terra. A junção dos sexos leva à perpetuação da vida e ao segredo da imortalidade, resultando, também, dela, a regeneração universal, que é o ponto mais alto da doutrina rosacruciana.

A Alquimia Evidencia Uma Ligação Entre as Duas Ordens.

    Existe ligação entre a Maçonaria e os rosacruzes e essa ligação começou já na Idade Média. No fim do período medieval e começo da Idade Moderna, com inicio da decadência das corporações operativas (englobadas sob rótulo de maçonaria de Ofício ou operativa), estas começaram, paulatinamente, a aceitar elementos estranhos à arte de construir, admitindo, inicialmente, filósofos, hermetistas e alquimistas, cuja linguagem simbólica assemelhava-se à dos francos-maçons. Como a Ordem Rosa-cruz estava impregnada pelos alquimistas, como já vimos, Dara daí a ligação do rosacrucianismo e da alquimia com a Maçonaria. Leve-se em consideração, também, que durante o governo de José II, imperador da Alemanha de 1765 a 1790, e coregente dos domínios hereditários da Casa d’Áustria, houve um grande incremento da Ordem Rosa-cruz e sua comunidade, atingindo até a Corte e fazendo com que o imperador proibisse todas as sociedades secretas, abrindo, apenas, exceção aos maçons o que fez com que muitos rosacruzes procurassem as lojas.
    Ambas as Ordens são medievais,se for considerado o maior incremento da Maçonaria de Ofício durante a Idade Média e o início de sua transformação em Maçonaria dos Aceitos (também chamada, indevidamente, de “Especulativa”).Se, todavia, considerarmos o início das corporações operativas, em Roma, no século VI antes de Cristo, a maçonaria é mais antiga. Isso, é claro, levando em consideração apenas, as evidências históricas autênticos e não as “lendas”, que fazem remontar a origem de ambas as instituições ao antigo Egito.
    A maçonaria é uma ordem totalmente templária, ou seja, os ensinamentos só ocorrem dentro das lojas. Já a Antiga e Mística Ordem Rosa-cruz dá ao estudante o livre arbítrio de estudar em casa ou em um templo Rosa-cruz. O estudo em casa é acompanhado à distância, e assim como a maçonaria, é composto de vários graus, que vão do neófito (iniciante) ao 12º grau, conhecido como grau do ARTESÃO.
    O estudo no templo, mesmo não sendo obrigatório, proporciona ao estudante além do contato social como os demais integrantes, a possibilidade de participar de experimentos místicos em grupo, e poder discutir com os presentes os resultados, e por último, a reunião templária fortalece a egrégora da organização, o que também ocorre na maçonaria.

Da Regeneração e Imortalidade a Reformador Social.

    A partir da metade do século XVIII e, principalmente, depois de José II, com a maciça entrada dos rosacruzes nas lojas maçônicas, tornava-se difícil, de uma maneira geral, separar Maçonaria e roscrucianismo, tendo, a instituição maçônica, incorporado, aos seus vários ritos, o símbolo máximo dos rosacruzes: ao 18º grau do Rito Escocês Antigo e Aceito, ao 7º grau do Rito Moderno, ao 12º grau do Rito Adoniramita etc.
    O Cavaleiro Rosa Cruz, é, como o próprio nome diz, um grau cavaleiresco e se constitui no 18º Grau do Rito Escocês Antigo e Aceito. A sua origem hermetista e a sua integração na Maçonaria, durante a Segunda metade do século XVIII, leva a marca dos ritualistas alquímicos, que redigiram naquela época os rituais dos Altos Graus. O hermetismo atribuído ao Grau 18 é perceptível no símbolo do grau, que tem uma Rosa sobreposta à Cruz, representando esta, o sacrifício e a Rosa op segredo da imortalidade, que nada mais é do que o escoterismo cristão, com a ressurreição de Jesus Cristo, ou seja, a tipificação da transcendência da Grande Obra.
    A Maçonaria também incorporou, em larga escala, o simbolismo dos rosacruzes, herdeiros dos alquimistas, modificando, um pouco, o seu significado e reduzindo-o a termos mais reais. Assim, o segredo da imortalidade da alma e do espírito humano, enquanto é aceito o princípio da regeneração só pode ocorrer através do aperfeiçoamento contínuo do homem e através da constante investigação da Verdade. O misticismo dos símbolos rosacruzes, todavia, foi mantido, pois embora a Maçonaria não seja uma ordem mística, ela, para divulgar, a sua mensagem de reformadora social, utiliza-se do misticismo de diversas civilizações e de várias correntes filosóficas, ocultistas e metafísicas.

As Iniciações.

    Uma singularidade entre a AMORC e a Maçonaria, são as iniciações nos seus respectivos graus, sendo que para ambas, a primeira é a mais marcante. No caso da Maçonaria a iniciação é ao grau de Aprendiz, e da AMORC, a admissão ao 1º grau de templo. As iniciações têm o mesmo objetivo, impressionar o iniciante, levá-lo à reflexão, para que ele decida naquele momento se deve ou não seguir adiante, e se o fizer, assumir o compromisso de manter velado todos os símbolos, usos e costumes da instituição de que fará parte.

O Simbolismo.

    Vários são os símbolos comuns às duas instituições, a começar pela disposição dos mestres com cargos, lembrando os pontos cardeais, e a passagem do Sol pela Terra, do Oriente ao Ocidente.
    Cada ponto cardeal é ocupado por um membro. A figura do venerável mestre na maçonaria, ocupando sua posição no Oriente, encontra similar na Ordem Rosa-cruz, na figura de um mestre instalado, que ocupa seu lugar no leste. A linha imaginária que vai do altar dos juramentos ao Painel do Grau, e a caminhada somente no sentido horário, também é similar. Em ambos os casos o templo é pintado na cor azul celeste, e a entrada dos membros ocorre pelo Ocidente.
    O altar dos juramentos encontra semelhança no Shekinah na ordem Rosa Cruz, sendo que neste último não se usa a bíblia ou outro livro, mas sim 3 velas dispostas de forma triangular, que são acesas no início do ritual e apagadas ao final deste, simbolizando a luz, a Vida e o Amor.
    Outra semelhança é o uso de avental por todos os membros iniciados ao adentrarem o templo, enquanto que os oficiais, (equivalente aos mestres com cargo), usam paramentos especiais, cada qual simbolizando o cargo que ocupa no ritual.
    O avental usado pelos membros não diferencia o grau de estudo.
    Algumas das diferenças ficam por conta da condução do ritual, onde na rosa cruz tem caráter místico-filosófico.
    Os iniciantes na Ordem Rosa Cruz recebem seus estudos em um templo separado, anexo ao templo principal, enquanto os aprendizes maçons recebem suas instruções juntamente com os demais irmãos e, finalmente, o formato físico da loja maçônica lembra as construções greco-romanas, enquanto que a Ordem Rosa Cruz (AMORC) lembra as construções egípcias.


GLUSA - GRAN LOGIA UNIDA del SUR DE AMÉRICA
"Per Amore, Justitia et Honor"
(Dístico gentilmente traduzido para o latim, a pedido, pelo Ir.'. José Castellani) (in memorian)

ANDREIA CAETANO
PIUMHI/MG

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Maçonaria - Relações Sexuais Com Demônios

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Maçonaria - Relações Sexuais Com Demônios
O que poderíamos oferecer a alguém que já tenha alcançado o topo da maçonaria? Muitos, se não a maioria, já têm riqueza e poder. A única sedução além do poder seria outra bastante antiga:

É certo que não morrereis... como Deus, sereis conhecedores do bem e do mal.
(Gênesis 3:4-5)

A tais homens seria oferecida a imortalidade e uma sabedoria divina. Em comum acordo com a maior parte das outras seitas do tipo gnóstico, o Paladium ensina que a serpente disse a verdade no Jardim do Éden. Basicamente, os candidatos são expostos no Paladium a um programa de cinco tópicos:
1. Adoção. É quando o maçom é trazido à "comunhão" de Lúcifer. Ele é orientado a fazer um juramento e se submeter ao templo de Lúcifer. Em última análise, ele é levado a fazer um pacto com Lúcifer, que basicamente é "vender a alma" ao diabo. O maçom promete se submeter, de corpo, alma e espírito, a Lúcifer, geralmente por um período de sete anos. Em troca, Lúcifer promete lhe conceder todos os seus desejos mundanos. Após os sete anos, caso ele tenha sido um bom servo, Lúcifer lhe dará outros sete anos de prazer. Se ele falhar, de qualquer forma, sua vida chegará ao fim.
2. Iluminação. Através de drogas e de técnicas ocultistas de adivinhação, seria aberto o assim chamado "terceiro olho", não apenas parcialmente (como na parapsicologia), mas completamente. Acredita-se que este "olho", também chamado de chakra de Ajna, seja o ponto de contato entre os humanos e a consciência de Lúcifer. Supõe-se que esteja localizado na testa acima e entre os dois olhos visíveis.

"Abrir" um pouco o olho é experimentar poderes psíquicos. Abrir o olho completamente é ter sua mente inundada com a "pura" consciência do próprio Lúcifer. Esse é o motivo pelo qual um dos símbolos maçônicos é o "olho-que-tudo-vê". É um símbolo de iluminação.
Essa é a forma com que Satanás falsificou o Novo Nascimento. Nele, é possível se adquirir um "relacionamento pessoal" com Lúcifer. Começa-se a pensar os pensamentos dele e a se ver com os seus olhos. Começa-se a olhar a humanidade como ele vê. Esta não é nem um pouco uma experiência agradável.
3. Conversação. Envolve se comunicar com o "O Poderoso Morto". Tanto a minha experiência pessoal quanto o testemunho histórico concordam que o espiritismo (qualquer comunicação com os mortos) desempenha uma parte significativa no Paladium. Encoraja-se a mediunidade e é vital a "conversação" com os sábios da história.

Falamos (alegadamente) com "luminares" (espíritos de mortos) tais como Jesus, Platão, São Francisco de Assis, o Rei Artur, o imperador Nero, Aleister Crowley e até mesmo Hitler! Eles são bastante ecumênicos! Esses seres "sábios e poderosos" aconselham as pessoas a como permitir que seus corpos e vontades sejam mais plenamente sujeitos a Lúcifer.

4. Relações Sexuais. O iniciado seria levado a "se casar" literalmente com um desses mortos. Geralmente, isso era feito usando um médium possuído pelo "espírito do morto" (na verdade um demônio) e então um casamento bizarro era consumado. Acreditava-se que a "virtude" mágica do espírito fluiria do médium para o iniciado através do ato sexual.

Algumas vezes um espírito de verdade deveria ser invocado usando o que é chamado de 8º trabalho (masturbação mística) na esperança de que um sucubus (demônio em forma feminina) ou incubus (demônio em forma masculina) se manifestasse. A idéia era que a sabedoria e o poder divino gradualmente fossem, através de repetidas relações sexuais, totalmente infundidos na mente, no corpo e na vontade do iniciado. Uma vez que esse objetivo tenebroso fosse alcançado, o iniciado seria levado a uma:

5. União. Neste ponto, a alma do iniciado é totalmente "coberta" pelo espírito maligno. Em outras palavras, teoricamente "não há ninguém em casa", exceto o próprio demônio! Isso é conhecido como "possessão absoluta" e leva muitos anos para acontecer e através de inúmeros convites para o demônio vir e dominar a pessoa. Neste ponto, o iniciado deixa de ser um individuo autônomo. Ele não é mais do que uma "luva" de pele e osso com uma "mão" demoníaca no interior controlando cada movimento seu.
Visto que o Senhor mostrou que o reino de Satanás não é dividido contra si mesmo (Mateus 12:25-26), podemos presumir que tais demônios querem cooperar para realizar seus objetivos. Isso é especialmente verdade visto que Satanás não é um senhor bondoso e pode ser inacreditavelmente cruel quando pune um ato de desobediência.
Homens e mulheres que chegaram ao quinto estágio (não existem muitos deles) ficam tão completamente sujeitos à vontade de Satanás que se tornam "santos satânicos". Eles irão para onde forem mandados e farão qualquer coisa para agradar o seu senhor.
É através de pessoas como essas que a "lei dos cinco" de Weishaupt pode ser aplicada. Os líderes observam o que entendem ser viradas no ciclo político e têm seus "santos" preparados para serem colocados em posições chaves, agindo sem qualquer compaixão ou humanidade. Tais "seres iluminados" consideram os humanos da mesma forma como consideram uma vaca. Uma fome aqui, um massacre ali...o que são poucas centenas de milhares de vidas humanas comparadas à grande causa do Grande Arquiteto?
Que tipo de pessoa poderia preparar os assassinos de multidões na Rússia de Stalin ou no holocausto nazista? Quem poderia forçar uma fome organizada por políticos sobre o povo da Etiópia?
Esse é o trabalho de homens e mulheres (ou de seus comandados) que são o equivalente geopolítico internacional e multimilionário de Charles Manson ou Jim Jones [famosos serial killers americanos]! São pessoas que, na verdade, não são mais humanas. São terroristas espirituais, fantoches controlados por demônios.
Como são marionetes, movem-se em harmonia, mentalizando um fim que é transgeracional. Apesar de que algum dia em breve morrerão, as mentes-mestras que os controlam irão continuar e assim garantirão para si mesmas novas "casas" nas quais morarão (Mateus 12:43-45).
Esses demônios não se importam se seus objetivos afetam gerações de pessoas. Pensam que o tempo está a favor deles; que o jovem banqueiro, advogado, político ou até mesmo pastor em ascensão que não gostaria de convidar um "ser poderoso" sábio e imortal para aconselhá-lo e orientá-lo?
Uma vez que o "sábio", a fonte do tal "antigo conhecimento", tenha sido convidado a entrar, é cada vez mais difícil colocá-lo para fora. A pessoa se torna literalmente dependente do poder e da influência deste novo "amigo".
Como desenvolvimento da Nova Era e da "canalização", Satanás conseguiu começar um marketing de massa com o que era reservado apenas para a elite.
Como "viciados" espirituais, essas pessoas se submetem a níveis crescentes de depravação porque lhes foi prometido que a união com tais demônios lhes daria a imortalidade e os habilitaria evoluir até se tornarem deuses, através da alquimia e da magia negra.
A metáfora que me ensinaram foi uma utilizando sapatos.
(trecho extraído das páginas 163-166 da segunda edição do livro "Maçonaria - por trás da fachada de luz" de William Schnoebelen!
Autor: William Schnoebelen
ISBN: 85-99664-25-5
Páginas: 240
Formato : 14x21
Preço : Consultar no Site
Ano do Lançamento: 2006
Segunda Edição: Março 2007
Tipo de Capa: Brochura c/orelhas


andreia caetano piumhi/mg

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Maçonaria feminina

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“Quando formardes os dois um,
e o interno como o externo,
e o alto como o baixo,
a fim de fazer o macho
e a fêmea em um só,
para que o macho não se faça macho,
e a fêmea não se faça fêmea,
ingressareis então no reino”.
(dito 23 do Evangelho segundo São Tomás)

Esta senhora se chamava Elizabeth Aldworth. Observe que ela usa trajes maçônicos. Note a postura e o que há sobre o livro que ela aponta. Sua iniciação se deu em 1712 na Lodge no. 44 em Doneraile Court (Inglaterra).

Abaixo vemos um retrato de Maria Deraismes, uma feminista francesa, co-fundadora da Respeitável Loja Le Droit Humain, (Maçonaria Mista), em Paris – 1893.

As mulheres maçons da imagem seguinte estão prontas para a Consagração de Templo exclusivamente feminino St. Ermins (Westminster, EUA). A foto é do dia 26 de Setembro de 1933. A Grão Mestre Elizabeth Boswell-Reid é a quarta mulher da direita para a esquerda.

Mulheres não participam da Maçonaria?

A participação das mulheres na maçonaria é muito pouco conhecida por historiadores de nossa época, tendo em vista as dificuldades interpostas, dentre as quais a destruição de uma grande parte dos documentos que comprovavam tais fatos; os próprios maçons de lojas exclusivamente masculinas, resistiam e ainda resistem a idéia de que as mulheres possam fazer parte da sociedade maçônica.

A senhora na “cadeira” de Salomão da foto seguinte é Brenda Taylor a Grão Mestre da Order of Women Freemasons ou Ordem das Mulheres Maçons. (Imagem de 2007).
Para os interessados no tema, recomenda-se a leitura de “A Mulher na Maçonaria: Desde O Século Xvii Até Nossos Dias”, de autoria de Esteva Maria Krinski.
Fonte: site Maçonaria, Loja Maçônica e Maçom
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maçonaria de judas????

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A Maçonaria, além de ser uma sociedade secreta iniciática ocultista, também é uma religião, embora seus defensores busquem negar este fato à todo custo. Pois revelar ao público que a Maçonaria é também, de fato, uma religião, suscitaria nas pessoas a inevitável curiosidade e o desejo de saber quem é o deus adorado pelos maçons. Fato que não desejam revelar. Além disto, para a Maçonaria, confessar seu aspecto religioso intrínseco a todo o seu corpo de doutrinas e de rituais, poderia inviabilizar a entrada de muitos membros nessa sociedade iniciática, como veremos adiante. Vejamos agora o que diz Albert Pike, um dos maiores maçons de todos os tempos ( Era Grande Comandante Maçom e Soberano Pontífice da Maçonaria Universal):

A Maçonaria requer de seus membros que creiam na existência de um Ser Supremo e também de que há um Único Deus. A Maçonaria se refere ao seu deus como sendo o Grande Arquiteto do Universo G.A.D.U. Ela ensina que todos os homens, de todas as religiões, adoram o mesmo Deus, simplesmente utilizando uma variedade de diferentes nomes. Esta é a base que dá sustentação a que os maçons possam ser Hinduístas, Muçulmanos, Budistas, adoradores do diabo, ou homens que dizem seguir o Senhor Jesus Cristo.
A Maçonaria requer de seus membros a crença em um Ser Supremo, todavia não define quem seja esse ser.
Em suas reuniões secretas em suas Lojas (Templos) a Maçonaria adota o que chamam eles de o Livro da Lei, o Esquadro e o Compasso, considerados como suas Três Luzes Emblemáticas, que deverão estar sobre o Altar dos Juramentos. Esse Livro da Lei tanto pode ser o Alcorão, os Vedas Hindus, o Livro dos Mórmons, o Talmude judaico e, até a Bíblia! Essa afronta a Deus tenta colocar a Bíblia "no mesmo nível" desses outros escritos.
- Deus afirma que não há outro Deus além dEle.
- A Maçonaria afirma que qualquer deus pode ser o tal G.A.D.U.
- G.A.D.U. pode designar qualquer deus
- O Deus da Bíblia não é o Deus dos maçons, pois para aquela organização ocultista, o tal G.A.D.U pode ser tanto Krishna, Buda, Maomé, Iemanjá ou o próprio Satanás
- A Maçonaria, portanto discorda de Deus !
A Maçonaria, assim como seu pai, Satanás, fogem do Evangelho e tremem quando alguém lhes solicita que se posicione sobre quem é o Senhor Jesus Cristo. Não querem ouvir falar n'Ele, e procuram, de todas as formas, negar a Sua divindade. Negam também, veementemente, a exclusividade da Bíblia em sendo a Palavra de Deus.
Aqui publicaremos, mais uma vez, as esclarecedoras palavras de Albert Pike, que como você já leu, é um dos homens pivôs na história da Maçonaria:

"Para vocês, Soberanos Grandes Inspetores Gerais, nós dizemos isto, que vocês podem repetir para os irmãos dos graus 32, 31 e 30: A Religião Maçônica deve ser, por todos nós iniciados dos altos níveis, mantida na pureza da Doutrina Luciferiana"; "Sim, Lúcifer é Deus..."; "E a verdadeira e pura religião filosófica é a crença em Lúcifer, o igual de Adonai; Mas Lúcifer, Deus da luz e Deus do bem, está lutando pela humanidade contra Adonai, Deus da escuridão e do mal." (Instruções aos 23 Conselhos Supremos do Mundo, Albert Pike, Grande Comandante, Soberano Pontífice da Maçonaria Universal, 14 de Julho, 1889)
A Maçonaria mistura idolatria, paganismo, ocultismo, cultos de fertilidade e demonologia em um único caldo em que se constitui a religião maçônica. Nada dessas coisas provém de Deus. A Maçonaria é uma organização comandada e liderada pelo judas.

terça-feira, 15 de junho de 2010

A Ordem Maçônica - definições

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( * )Irm Ambrósio Peters.
Or de Curitiba - PR.
Escritor, Historiador Filosofo e Livre Pensador.
Artigos do Livro desse mesmo autor:
MAÇONARIA
HISTÓRIA E FILOSOFIA
Tirado da Coluna: Da Doutrina - Sob o comando do Irm Antonio Carlos de Souza Godoi. Or de Mogi Guaçu-SP

( * )Irm Ambrósio Peters.
Or de Curitiba - PR.
Escritor, Historiador Filosofo e Livre Pensador.
Artigos do Livro desse mesmo autor:
MAÇONARIA
HISTÓRIA E FILOSOFIA
Tirado da Coluna: Da Doutrina - Sob o comando do Irm Antonio Carlos de Souza Godoi. Or de Mogi Guaçu-SP
A Ordem Maçônica - definições

Irm Ambrósio Peters. ( * )
As definições corretas sempre deveriam ser o primeiro passo ao se pretender partir para um estudo mais aprofundado de qualquer tema complexo e controverso. Veremos no correr desta obra que o estudo da Maçonaria é realmente complexo e controverso.

O primeiro passo para se chegar a uma definição clara é estudar a Maçonaria como um todo, evitando analisá-la somente face ao comportamento isolado de grão-mestres, de maçons individualmente, ou face a atividades de lojas maçônicas consideradas isoladamente.

Obstáculos a uma correta definição são também as mistificações, os preconceitos e as lendas que continuam a distorcer significativamente o ideal maçônico perante o grande público, obstáculos que só poderiam ser superados e removidos por um profundo conhecimento da história e dos princípios essenciais da Ordem.

Essas são razões que conduzem à necessidade de se procurar definir a Maçonaria começando pelo método da eliminação, isto é, dizendo primeiramente o que ela não é, ou seja, que ela não é uma religião, não é uma facção política, não é uma associação de socorros mútuos tampouco é uma sociedade formal.

Em primeiro lugar a Maçonaria não é uma religião porque os seus adeptos não são obrigados a pertencer a alguma religião organizada nem a adotar preferencialmente alguma corrente filosófico-teológica. Isto porém não a impede de recomendar a todos os maçons que sejam absolutamente conscientes de suas crenças e cumpram todos os deveres religiosos assumidos em razão de sua fé, qualquer que ela seja.

É oportuno observar que há potências maçônicas (veremos logo adiante o que é uma potência maçônica) que exigem dos candidatos à iniciação a crença em um Ser Supremo e na sobrevivência do espírito, embora não definam uma concepção oficial para esse Ser Supremo nem como e onde se dará essa sobrevivência do espírito, definições que são deixadas à opção individual. Não é meta da Maçonaria interferir nas convicções religiosas de seus membros ou fiscalizar os seus procedimentos frente a suas crenças. Ela apenas insiste em que todos sejam plenamente conscientes de sua opção.

Dessa forma não tem sentido a acusação de muitas religiões cristãs de que a Maçonaria é contra a religião e que prega um conceito de Deus difuso, em outras palavras, que prega um Deus incorpóreo e ilimitado no tempo e no espaço. Recomenda-se a cada maçom que busque incessantemente a verdade e que, encontrando-a, a assuma conscientemente, ou pela fé ou pela razão, seja em que religião concepção filosófico-teológica for, seja qual for a concepção de Deus preferida, politeísta, monoteísta, deísta. iluminista, panteísta etc.

Essa neutralidade religiosa no interior das lojas maçônicas é assumida para evitar que irmãos possam mutuamente tentar se influenciar, provocando desavenças pessoais ou abalando a segurança da fé e das convicções pessoais dos outros. Uma interação mútua assim poderia dar margem ao proselitismo religioso ou político, uma prática absolutamente condenada pela Maçonaria em seu seio.

A Maçonaria também não é um partido político e nem esposa alguma teoria política em particular, embora demonstre predileção pelos sistemas democráticos e se manifeste contrária a tudo o que possa limitar as liberdades individuais. Isto evidentemente não significa que significa que proíba aos seus membros que pertençam a partidos políticos ou que se dediquem a atividades políticas de modo sadio, patriótico e coerente.

Ao contrário, recomenda a todos os maçons que, individual ou coletivamente, colaborem ativamente em todas as promoções sociais de seu país, do seu partido, de sua religião, de sua associação, enfim, de sua coletividade.

A Maçonaria não aceita como membros os políticos que se pronunciam a favor de correntes político-doutrinárias totalitárias, como o Comunismo, o Fascismo e o Nazismo, ou que colaborem com ditadores e tiranos que suprimam as liberdades individuais, nem os que se opõem à Maçonaria.

Dessa forma vemos que, quando a Maçonaria proíbe que sejam tratados temas religiosos e políticos no seio de suas lojas e templos, ela simplesmente o faz para evitar a desarmonia entre os irmãos. A História nos mostra que a maior parte das guerras e genocídios que em todos os tempos afligiram a humanidade aconteceu por motivos religiosos e/ou políticos. Ainda hoje vemos exemplos em muitas partes.

Fica pois evidente que a Maçonaria não é contrária à religião nem à política. Sendo as suas lojas formadas de modo geral por pequenos grupos de irmãos, a maioria cristãos( 1 )e líderes em suas comunidades, se torna imperioso evitar o encontro frontal entre correntes religioso-políticas divergentes, pois isso traria certamente exacerbadas discussões, que destruiriam o sentimento de harmonia que deve reinar no interior desses recintos, indispensável para fazer crescer a fraternidade.

A Maçonaria assumiu desde o seu início um caráter universalista, para tornar possível a iniciação a todos os cidadãos livres e de bons costumes, independente de sua religião, de sua categoria social, de sua raça, de sua convicção política, o que exige rigorosa neutralidade.

A Maçonaria também não é uma simples associação caritativa nem uma caixa de socorros mútuos. A prática da caridade e do socorro mútuo pelos maçons é uma atitude pessoal resultante do crescimento interior e do aperfeiçoamento do espírito da filantropia, alcançado através de um longo trabalho de conscientização no interior das lojas.

A filantropia maçônica não se cumpre com o simples ato de estender uma moeda a um pobre. A filantropia maçônica tem um sentido mais alto, é atitude geral de benevolência para com todos os outros homens.

É um sentimento de amor que invade o homem quando toma consciência de que pertence a uma coletividade superior formada por todos os homens, a humanidade. A filantropia maçônica é uma tomada de consciência.

A Maçonaria mundial também não é uma organização formal nem uma sociedade ou associação formal. As entidades sociais formais de qualquer natureza sempre se regem necessariamente por estatutos, regulamentos, contratos sociais ou constituições e sempre são dotadas de uma hierarquia administrativa central legalmente nomeada segundo disposições regulamentares, contratuais e estatutárias, ou eleita por assembléias gerais. Não há associações formais sem estatutos ou regulamentos e sem administração central.

A Maçonaria considerada como um todo não se rege por regulamentos, estatutos ou constituições e não tem nenhuma hierarquia administrativa ou governo supranacional ou mundial não sendo, portanto, uma organização formal.

Parece-nos que a idéia de que haveria esse governo maçônico supremo, ou mundial, ou esse comando maçônico central com poderes de mando sobre toda a Maçonaria, nasceu do conhecido Os Protocolos dos Sábios de Sião ( 2 ).

Este livro, que acusa a Maçonaria de se ter aliado ao Judaísmo numa tentativa de dominar o mundo valendo-se de todos os meios possíveis, até do derramamento de sangue se necessário, é uma falsificação histórica de natureza anti-semita lançada em 1903 pela política czarista, na cidade de Cravóvia. A falsificação é confirmada por fontes insuspeitas como a Enciclopédia Delta Larousse e o historiador Mário Curtis Giordani ( 4 ). Este autor o relaciona entre outras famosas forjicações históricas como o Donatio Constantini, o Monita Secreta, e O Homem de Piltdown.

Então, se a Maçonaria não é uma religião, não é um partido político, não é uma sociedade de socorros mútuos, não é uma associação ou organização formal e não tem um governo mundial, como se poderia defini-la? Pensamos que o mais correto seria dizê-la uma ordem, isto é, um grupo de pessoas que, reunidas informalmente em torno de um ideário, ou seja, em torno de um conjunto ou sistema de idéias e propósitos, tentam alcançar um determinado objetivo através de um relacionamento pessoal harmonioso.

Transcrevemos as definições do dicionário Aurélio: "Ordem = 1 - Disposição conveniente dos meios para se obterem os fins"; - "Ideário = Conjunto ou sistema de idéias políticas, sociais, econômicas, etc.:o ideário da Revolução Francesa".

Portanto ordem é o grupo, e ideário é o elemento de ligação entre os membros do grupo formado por pessoas que se unem para o compartilhamento de um ideal e para atingir um determinado objetivo.

A ordem nasce portanto a partir de ideários. Os ideários, por sua vez, nascem em certos momentos históricos de forte comoção e ansiedade coletivas causadas por condições sociais adversas de instabilidade ou insegurança geral, como grandes calamidades da natureza, contínuas guerras, fome e pestes. Para que possa merecer a atenção pública e levar à constituição de uma ordem deve um ideário conter aspectos socialmente revolucionários, capazes de abrandar os efeitos das adversidades.

Como exemplo clássico pode ser tomado o Cristianismo. Cristo lançou as bases de um ideário composto de idéias muito simples, mas que eram revolucionárias para o seu momento histórico. Essas idéias eram o amor a Deus e o amor ao próximo.

Cristo viveu num período em que praticamente todo o mundo conhecido estava sob o domínio de Roma, que estabelecera a sua forçada e famosa Pax Romana universal, isto é, uma tranqüilidade imposta aos povos dominados ( 5 ) .

Nesse mundo romano não havia consideração para com o indivíduo que era simples propriedade do Estado, podendo ser usado e descartado sempre que o bem do Império o exigisse. O grupo estava supervalorizado. Num momento assim Cristo valorizou o indivíduo acenando-lhe com as esperanças de uma vida melhor após a morte, onde todos seriam iguais perante Deus. E como meio de conquistar esse céu ele falou em amor ao próximo, isto é, na fraternidade, idéia absolutamente desconhecida nesse mundo intranqüilo e inseguro. Assim Cristo lançou um ideário e os primeiros cristãos, ao se unirem informalmente em torno dele, constituíram uma ordem, a Ordem Cristã.

O ideário da Maçonaria Moderna surgiu na Inglaterra, no momento de grande conturbação que se seguiu ao final da Idade Média (século XV). Foi uma época de grandes adversidades provocadas por permanentes guerras religiosas, insegurança intelectual frente ao surgimento da Idade da Razão, seguidas e desejadoras pestes, altíssimos índices de mortalidade infantil e sobretudo por fome e penúria. Num momento assim conturbado e desesperador renovou-se um sentimento de fraternidade e de solidariedade, e começou a estabelecer-se uma ordem em que se uniam indivíduos das mais diversas posições sociais, irmanados por esses sentimentos em comum.

Assim a Maçonaria Moderna, ou Especulativa como é mais conhecida, é uma ordem que se define com "um centro de união no qual se desenvolve um verdadeiro e puro sentimento de fraternidade e solidariedade entre homens que, sem esse centro, teriam ficado perpetuamente distantes". Essa é a definição que consta do primeiro documento oficial da Maçonaria Moderna, o Livro das Constituições, de 1723, da Grande Loja de Londres( 6 ).

Os ideários, quando passam os momentos de tribulação que os geraram, se perpetuam como ordens, incorporando-se às tradições orais dos povos onde nasceram. Depois de incorporados às tradições culturais dificilmente se poderá remover alguma de suas idéias básicas, pelo simples fato de que para isso seria necessária a convocação de assembléias gerais, providência impraticável pois as ordens não têm administrações centrais para convocá-las. Por exemplo, a não admissão de mulheres na Maçonaria é uma tradição de quase mil anos, que não pode ser abolida por ser a Maçonaria uma ordem.

É possível o acréscimo de novas idéias aos ideários desde que não contradigam frontalmente as idéias básicas de sua formação original. As contradições descaracterizam os ideários originais, que podem perder-se na transmissão das tradições, permitindo o surgimento de novos grupos de idéias em sua substituição.

Quando aparecem as administrações hierarquizadas centrais é porque o ideário original já foi objeto de interpretações casuísticas que o desvirtuaram, adaptando-o a situações e interesses particulares. É a partir dessas interpretações que surgem as dissensões das quais nascem as instituições formais com suas hierarquias. Foi por causa de interpretações diferenciadas de exegetas que do puro ideário do Cristianismo surgiram centenas de religiões cristãs divergentes, todas se dizendo detentoras absolutas da interpretação correta do ideário original.

Justamente porque a Maçonaria não se tornou uma instituição hierarquizada não vingaram algumas interpretações diferenciadas do seu ideário e não se radicalizaram algumas raras dissensões. Ela continua a ser uma ordem tão estável que a sua definição ainda é a mesma de há trezentos anos.

Na verdade quando se criou uma primeira hierarquia regionalizada, com o grão-mestrado da Grande Loja de Londres, em 1717, houve uma ameaça de ruptura com a criação da Grande Loja dos Antigos, em 1753, mas tudo voltou à paz de antes com o pacto de unificação de 1813.

Hoje, como então, podemos ainda definir corretamente a Maçonaria como uma Ordem, a Ordem da Maçonaria ou Ordem Maçônica, cujo ideário é a liberdade individual, a fraternidade universal, a igualdade de direitos entre todos os homens, a caridade desinteressada, e a solidariedade e a lealdade sem limites. Como meio principal de chegar a esses objetivos os maçons se reúnem em lojas que são verdadeiros centros de união onde se desenvolve um verdadeiro e leal sentimento de fraternidade, aproximando homens que de outra forma ficariam perpetuamente distanciados.


( 1) No Brasil são raros os maçons que não seguem os ideários do Cristianismo.



( 2 ) Os Protocolos dos Sábios de Sião. Ed Júpter , S. Paulo (houve outras edições no Brasil)


( 4 ) História da Antigüidade Oriental, pg 17


















( 5 ) Enciclopédia Delta Larousse, verbete Pax Romana.













( 6 ) Constituições de Anderson - GOB. pg 50




andreia caetano



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